Por Maurício Sarmento*
Mais uma vez, a tragédia se repete na região dos Flexais. Uma mulher caiu em um buraco, resultado direto do solo instável e do abandono que castiga diariamente quem ainda resiste por aqui. Não é acaso, não é fatalidade: é consequência de um crime que destruiu vidas, arrancou casas e segue colocando pessoas em risco real todos os dias.
O que aconteceu poderia ter sido pior — e todos nós sabemos disso.
Mas o mais revoltante é que parece não haver limite para o sofrimento imposto às vítimas. Enquanto autoridades discutem relatórios, decretos e acordos, corpos reais continuam sendo expostos ao perigo. As pessoas continuam adoecendo, se machucando, perdendo noites de sono, vivendo sobre rachaduras, tremores e medos que nunca cessam.
Nos Flexais, a vida segue suspensa, vulnerável, marcada por incertezas. O episódio de hoje não é isolado; é mais um capítulo de uma dor coletiva que insiste em ser ignorada.
Nós perguntamos, com toda legitimidade:
Até quando? Quem responde por isso? Quem protege essas famílias? Quem garante o direito básico de viver sem medo de cair em um buraco a caminho de casa?
Enquanto as vítimas não forem colocadas no centro das decisões, o sofrimento continuará sendo renovado dia após dia.
E nós não vamos aceitar o silêncio.
Não vamos aceitar que naturalizem a dor dos Flexais.
Não vamos permitir que transformem tragédia em rotina.
As vítimas merecem respeito, reparação e, sobretudo, segurança.
*É membro do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB)






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