A aplicação de R$ 168,5 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) em fundos de investimento do Banco Master, autorizada pelo prefeito João Henrique Caldas (JHC), voltou a dominar o debate na Câmara Municipal nesta terça-feira, 13. A operação, considerada de altíssimo risco por técnicos e parlamentares, foi defendida pelo líder do governo, vereador Kelmann Vieira (MDB).
Kelmann se esforçou para justificar a operação multimilionária, afirmando que os investimentos seguem parâmetros legais e buscam “rentabilidade responsável”. Em sua fala, o líder do governo disse:
“Quero reafirmar: nenhum aposentado ou pensionista corre risco em relação às finanças do Iprev. O que existe é uma tentativa clara de criar pânico e desestabilizar a gestão municipal — e isso eu não posso aceitar.”
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Apesar da declaração, o vereador não conseguiu explicar por que o Iprev aplicou recursos dos servidores em papéis que não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — mecanismo que protege aplicações em caso de quebra do banco. A falta de transparência motivou o vereador Rui Palmeira (PSD) entrar com ação no Ministério Público.
Nos bastidores, aliados do prefeito passaram a chamar o caso de “tigrinho do JHC”, em referência a apostas financeiras de alto risco. A crítica resume a preocupação que cresce entre servidores, aposentados e pensionistas, que temem perder parte do fundo previdenciário municipal em uma “ciranda financeira” sem segurança comprovada.
O sinal de alerta ganha força diante da recente decisão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que proibiu o Rioprevidência — o fundo previdenciário dos servidores do estado — de realizar novos investimentos em fundos administrados pelo Banco Master. O TCE apontou indícios de gestão possivelmente irresponsável e relatou perdas significativas: em julho de 2024, R$ 2,6 bilhões (cerca de 25% dos recursos do fundo fluminense) estavam aplicados em fundos ligados ao banco, com rentabilidade abaixo da poupança e risco elevado.
Para o vereador Rui Palmeira, a decisão do TCE-RJ reforça a gravidade da situação em Maceió: “Se um Tribunal de Contas estadual já identificou risco de má gestão e proibiu novos aportes, como o prefeito JHC autoriza que o Iprev siga o mesmo caminho? Isso é uma temeridade”, afirmou.






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