quarta-feira, 29 julho 2026
Céu limpo
Maceió
26°C
Céu limpo
Céu limpo
Maceió
26°C
Céu limpo

A extrema-direita tem um alvo na Câmara de Maceió: Teca Nelma, mulher e de esquerda

por | 19 dez, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Assessoria

Por Geraldo de Majella*

A História de Alagoas é marcada pela violência; nunca é demais afirmar que, ao recuarmos no tempo, nos deparamos com a violência contra os povos escravizados, sequestrados em nações africanas, e contra os povos indígenas. A República, que completa 136 anos, não alterou substancialmente esse quadro: o sangue continuou a jorrar e a irrigar campos e plantações. A violência estatal e da elite permaneceu, assumindo diferentes formas de opressão e recorrendo à violência física. Atualmente, os “troncos” onde são amarrados pretos e pobres são as delegacias, favelas, guetos e presídios; viaturas policiais também carregam marcas quase imorredouras da história contemporânea, que traz o passado como um pesadelo que não termina.

A Alagoas que viveu o século XX temendo o Sindicato da Morte, instituição clandestina formada por políticos, fazendeiros, industriais e policiais, capaz de colocar governadores de joelhos diante da violência que promovia e dos votos de cabresto de que dispunha, depara-se, no século XXI, com políticos de extrema direita que, sob o manto da liberdade de expressão, incitam — quando não praticam eles próprios — violência física e simbólica e, da tribuna dos parlamentos, ameaçam a sociedade e os poderes do Estado. Todos financiados pelo fundo partidário e pelo fundo eleitoral.

Em substituição ao Sindicato da Morte, no final do século XX, Alagoas também se viu aterrorizada pela Gangue Fardada, organização criminosa formada por policiais militares e civis e por alguns à paisana.

Quem toca o terror atualmente são os políticos identificados com a extrema-direita. Estes são os novos “capitães de mato”, com o acompanhamento de Hair & Beard Stylist e social media, usando distintivos e armas fornecidas pelo Estado.

A vereadora Teca Nelma (PT) tem sido molestada pela ação desses políticos na Câmara de Vereadores de Maceió. O então vereador, hoje deputado federal, delegado Fábio Costa (PP), tentou enquadrar a jovem vereadora, mas não conseguiu. Seguiu o mesmo roteiro o vereador Leonardo Dias (PL), que também sentiu a reação da vereadora petista. O último a partir e ser desarmado foi o vereador e delegado de Polícia Civil, Thyago Prado.

Teca Nelma tem estatura baixa, é franzina, fala calma e apresenta aspecto de quem está saindo da adolescência. Diante de brutamontes, agiganta-se com elegância e educação, conforme determina o regimento da casa legislativa. Essa mulher cala marmanjos que ostentam incivilidade e ignorância são os bárbaros da atualidade.

O que há em comum entre eles é a misoginia, o ódio e o desejo incontido de eliminar o oponente político, se possível fisicamente, e através das redes sociais com mentira; os três usaram esse expediente.

A extrema-direita tem como doutrina a mentira sobre qualquer assunto, sempre com o objetivo de desconstruir o alvo que escolheu, pela relevância política, cultural, social ou religiosa, como inimigo. É basilar escolher o inimigo para atacar por todas as frentes, utilizando mentira (fake news), arrogância e as diversas formas de violência.

É bom lembrar que a vereadora Olivia Tenório (PP) também foi vítima de violência de gênero no plenário da Câmara; desta vez, o agressor foi Leonardo Dias, que não esperava que a vereadora grávida o enfrentasse. Resultado: o misógino recuou.

A vereadora Teca Nelma tem uma condição que atrai os extremistas, assim como a lâmpada atrai as mariposas: ser mulher e de esquerda. O ódio às mulheres é compulsivo e perverso nos políticos da extrema-direita.

A extrema-direita não improvisa ela atua com método: eliminar o oponente que é tratado como inimigo na guerra ideológica.

*Historiador e jornalista

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *