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A radicalização bolsonarista e o sequestro simbólico da Câmara

por | 7 ago, 2025

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Reprodução

O sequestro simbólico da mesa diretora da Câmara dos Deputados, promovido por parlamentares bolsonaristas, durou cerca de 30 horas — tempo suficiente para escancarar a fragilidade do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), diante de uma minoria barulhenta e radicalizada.

A ocupação teve um foco claro: a espetacularização para as redes sociais de extrema-direita. A encenação, feita sob medida para alimentar a base bolsonarista, revelou não apenas ousadia, mas sobretudo desespero diante do avanço das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023 e, especialmente, da recente decretação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.

Entre os parlamentares envolvidos na ação, há vários investigados diretamente por participação nos atos golpistas. O Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, segue conduzindo os processos com firmeza. Até o momento, nenhuma ameaça ou tentativa de intimidação alterou o curso da Justiça.

A cada nova decisão do STF — como a imposição de medidas cautelares ou a formalização de denúncias — cresce o nível de tensão entre os extremistas. A possibilidade de condenações definitivas de lideranças golpistas, incluindo Jair Bolsonaro, mas também dezenas de parlamentares bolsonaristas, pressiona esse grupo ao limite.

Hugo Motta, apoiado pelo Centrão — bloco majoritário formado por PP, Republicanos, PSD e União Brasil —, começa a sentir o custo político da aliança oportunista com a extrema-direita. O que parecia ser um trunfo de governabilidade tornou-se um fardo. A radicalização bolsonarista, longe de ser um ativo político, se transformou em um problema de difícil controle e convivência.

O sequestro simbólico da Câmara expõe, assim, não apenas a tensão entre os Poderes, mas uma crise interna na própria direita, que já ensaia fraturas mais profundas entre seus setores moderados e os radicais. E com o cerco judicial se apertando, tudo indica que o pior ainda está por vir.

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