Em meio às celebrações que antecedem a Copa do Mundo de 2026 e às lembranças dos 50 anos do golpe de Estado que instaurou a última ditadura argentina, um projeto une memória histórica e cultura popular para homenagear as Mães e Avós da Praça de Maio.
Idealizada pelo designer gráfico Ariel Cuadra em parceria com a organização HIJOS Capital, a iniciativa resultou em um álbum de figurinhas inspirado no universo dos torneios de futebol. A proposta busca preservar a memória das vítimas da repressão estatal e reconhecer a trajetória das mulheres que se tornaram símbolo da luta por verdade e justiça na Argentina.
Ao apresentar o projeto, Cuadra afirmou que a ideia surgiu como “um exercício coletivo de memória, homenagem e união” em referência aos 50 anos do último golpe cívico-militar. Segundo ele, o álbum pretende reunir pessoas em torno da construção da memória coletiva, assim como as mães e avós continuam fazendo em sua militância.
Cada figurinha traz informações sobre uma das homenageadas, incluindo nome completo, data de nascimento e os dados de filhos desaparecidos durante a ditadura. No caso das avós, também constam os nomes dos netos apropriados pelo regime, independentemente de terem recuperado ou não suas identidades.
De acordo com os organizadores, a proposta utiliza uma linguagem acessível e familiar para aproximar diferentes gerações da história recente do país. A dinâmica de colecionar, trocar e completar figurinhas é apresentada como uma forma de participação coletiva na preservação da memória.
O álbum está disponível gratuitamente em formato PDF para download público, acompanhado de orientações para impressão. Os responsáveis pelo projeto também incentivam participantes a compartilhar nas redes sociais suas experiências ao completar a coleção.
Ao divulgar a iniciativa, Cuadra defendeu a importância de manter vivo o legado das Mães e Avós da Praça de Maio, classificadas por ele como referências fundamentais da história argentina e da resistência contra os períodos mais sombrios do país.
Contexto histórico
As Avós da Praça de Maio surgiram em 1977, durante a última ditadura militar argentina, formada por mulheres que buscavam localizar filhos e netos vítimas da repressão estatal. O regime, instaurado após o golpe de 24 de março de 1976, implementou um sistema de terrorismo de Estado marcado por prisões clandestinas, torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados.
Estima-se que cerca de 30 mil pessoas tenham desaparecido durante o período ditatorial. Entre os casos mais emblemáticos estão os de aproximadamente 500 bebês retirados de suas famílias e entregues ilegalmente a outras pessoas, muitos deles nascidos em centros clandestinos de detenção.
Cinco décadas depois do golpe, a luta das Mães e Avós da Praça de Maio continua sendo uma das principais referências dos movimentos de direitos humanos na Argentina, mantendo viva a defesa da memória, da verdade e da justiça.








0 comentários