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Bolsonaro continua central, apesar de fragilidade e dispersão, afirma antropóloga

por | 8 set, 2025

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Reprodução

Às vésperas de um julgamento que pode resultar em sua condenação, o ex-presidente Jair Bolsonaro continua sendo uma figura central no cenário político brasileiro, segundo a antropóloga Isabela Kalil. Em entrevista à Agência Pública, Kalil, coordenadora da pós-graduação em Antropologia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), afirmou que, apesar de sua inelegibilidade e da proximidade da prisão, Bolsonaro é visto como “uma figura insubstituível” por seus apoiadores.

Kalil observa que, embora o movimento bolsonarista tenha se dispersado em grupos menores e ações individuais, isso não indica uma perda total de poder do ex-presidente. Ela destaca que, mesmo com o afastamento público de setores como empresários e militares, o apoio entre os evangélicos permanece forte. Além disso, a antropóloga aponta que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro possui maior potencial para suceder politicamente o marido do que seus filhos, sugerindo uma possível continuidade do legado bolsonarista.

A antropóloga também comenta sobre a mobilização atual dos grupos bolsonaristas, que, segundo ela, partem do pressuposto de que estão sendo alvo de uma “perseguição política”. Esse sentimento de desconfiança em relação às instituições tem levado a uma mobilização mais voltada para a desobediência a ordens judiciais do que para ações violentas em massa. Kalil observa que, embora haja temor de ataques isolados, não há sinais de uma radicalização organizada como a observada em 2022.

Em relação às fissuras dentro do bolsonarismo, Kalil destaca que, após o episódio de 8 de janeiro, houve um afastamento público de empresários e militares. No entanto, ela ressalta que a base evangélica continua fortalecida e desempenha um papel crucial na sustentação do movimento.

Por fim, Kalil alerta que, embora o bolsonarismo esteja mais fragmentado e vulnerável, ele continua presente em diversas esferas da sociedade, especialmente entre setores religiosos e militares, mantendo sua relevância no cenário político atual, mas também evidenciando sinais claros de desgaste e fragilidade.

A entrevista completa pode ser lida neste link.

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