Por Geraldo de Majella*
A chapa do PL formada por Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, e Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente, evidencia o isolamento da extrema-direita no processo eleitoral.
O isolamento ficou demonstrado pela recusa de partidos de direita em formar uma coligação com o PL e com a candidatura de Flávio Bolsonaro. A dificuldade de atrair aliados revela os limites da estratégia da extrema-direita, que não conseguiu ampliar sua base política para além do núcleo bolsonarista.
A escolha de Alfredo Gaspar não altera esse cenário. Sua candidatura não amplia o apoio da chapa na região Nordeste nem representa uma aproximação com novos setores políticos em Alagoas, estado pelo qual foi eleito deputado federal.
A composição entre Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar mantém o mesmo perfil político radical da extrema-direita. Ambos defendem uma orientação que, caso vitoriosa nas eleições, tende a aproximar o Brasil do governo dos Estados Unidos sob Donald Trump, aprofundando uma relação de alinhamento e submissão aos interesses norte-americanos.
Brasil, Uruguai e México estão entre os países do continente que ainda resistem ao avanço da extrema-direita e à tentativa de ampliar a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina. A disputa política nesses países representa uma defesa da soberania nacional diante de projetos que buscam subordinar suas decisões aos interesses norte-americanos.
Nesse cenário, Alfredo Gaspar se coloca como parte de uma candidatura alinhada a esse projeto de submissão, assumindo um papel antipatriótico. Não se poderia esperar dele outra postura.
*Historiador e jornalista







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