Por Geraldo de Majella*
O Rio de Janeiro vive dias de barbárie. Em apenas 24 horas, 129 pessoas foram assassinadas — número ainda parcial — durante operações policiais sob o comando do governador Cláudio Castro, que, à semelhança de Benjamin Netanyahu em Gaza, tenta transformar o massacre em demonstração de força política.
A retórica é a mesma: “combate ao crime”, “defesa da ordem”, “resposta firme”.
O resultado também é o mesmo — corpos estendidos no chão, casas destruídas e comunidades aterrorizadas.
Castro repete o roteiro do governante que governa impondo medo. Em vez de enfrentar as raízes do tráfico, da desigualdade e da ausência do Estado nas comunidades e favelas, aposta na guerra como instrumento de propaganda política. Enquanto o governo celebra supostos “sucessos” das operações, as famílias contam seus mortos e as periferias se calam sob o som dos helicópteros e fuzis.
A política de “segurança pública” no Rio de Janeiro tem se tornado um laboratório de extermínio de moradores das comunidades e favelas, sustentado pela impunidade, pela escolha deliberada de governantes como Cláudio Castro e sob o aplauso de políticos da extrema-direita e da direita do estado do Rio de Janeiro e dos aliados, governadores inclusive, como Caiado, Ratinho, Tarcísio de Freitas, Zema e Ratinho.
O ataque ao crime organizado nas comunidades funciona como um desvio para não enfrentar os verdadeiros barões do crime, que operam negócios bilionários em bolsas de valores, fundos de investimentos e negócios diversificadas, tanto no Rio de Janeiro quanto no exterior. Esses chefes do crime mantêm representações parlamentares nas casas legislativas e influência sobre os demais poderes do Estado, inclusive sobre as forças policiais.
O governador Cláudio Castro tem transformado as matanças na principal ação de seu Programa de Governo, convertendo as forças policiais em de força de ocupação das comunidades. Ele utiliza a espetacularização das operações na mídia como instrumento político-eleitoral. Nas favelas, os moradores vivem encurralados, contabilizando, dia após dia, os cadáveres gerados pelas ações das forças policiais sob o comando do governador.
Se Netanyahu é acusado de crimes de guerra, Cláudio Castro deveria responder por extermínio das populações das favelas do Rio de Janeiro — por transformar a segurança pública em um espetáculo de morte e o território fluminense em um mapa de dor e sangue.
O “Netanyahu carioca” governa sobre escombros e cadáveres.
*Historiador e jornalista







0 comentários