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Comunidade quilombola de Tabuleiro dos Negros avança em processo de reconhecimento territorial

por | 31 maio, 2026

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A comunidade quilombola Tabuleiro dos Negros, localizada em Penedo, no Baixo São Francisco alagoano, vive uma nova etapa no processo de reconhecimento e demarcação de seu território. O avanço ocorre com a elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Demarcação (RTID), conduzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, que reúne informações históricas, sociais, fundiárias e culturais da comunidade.

Nesta fase, estão sendo realizados o cadastro das famílias, o relatório antropológico, o levantamento fundiário e a notificação de proprietários e confrontantes das áreas identificadas como pertencentes ao território quilombola.

Assessoria

O trabalho inclui entrevistas, visitas técnicas e coleta de documentos que ajudam a reconstruir a memória coletiva da comunidade. A antropóloga Luiza Borba explica que o objetivo é registrar as relações históricas e culturais que consolidam a identidade quilombola do povoado. “O relatório antropológico vai contar as relações específicas da comunidade, ouvir as histórias das pessoas, abarcando a memória oral, a documentação e as relações produtivas”, afirma.

Até agora, 148 famílias já foram cadastradas, de um total estimado em cerca de 400 moradores. Após análise técnica, os cadastrados podem ser incluídos em programas de reforma agrária e acessar políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais.

Assessoria

Além da regularização fundiária, o processo também tem fortalecido o reconhecimento identitário dentro da própria comunidade. Segundo Angela Gregório, chefe da Divisão Quilombola do Incra em Alagoas, o trabalho ajuda as famílias a compreenderem e valorizarem sua ancestralidade. “Elas conseguem se perceber enquanto famílias quilombolas a partir desses instrumentos que revelam a própria história”, destaca.

O presidente da associação comunitária, José Cícero da Silva, afirma que o processo representa uma conquista construída ao longo de anos. Certificada pela Fundação Palmares desde 2007, a comunidade agora vê crescer o envolvimento dos moradores nas discussões sobre o território e os direitos quilombolas. “Hoje estamos otimistas, pois a presença permanente do Incra tem gerado uma mudança na mente das pessoas, que já procuram a sede de forma mais espontânea”, relata.

Com cerca de 300 anos de história, Tabuleiro dos Negros mantém forte tradição agrícola, com cultivo de mandioca, produção de farinha e criação de animais. O povoado também preserva manifestações culturais que reforçam os vínculos comunitários, como o coco de roda organizado por Adalberon Cristóvão dos Santos, conhecido como mestre Belo.

Assessoria

“Já trabalho com esse grupo faz 21 anos. A comunidade aderiu, a juventude participa”, conta o folclorista, responsável por manter viva uma das expressões culturais mais tradicionais da região.

A comunidade divide características territoriais e culturais com o quilombo Sapé, em Igreja Nova, inclusive compartilhando espaços simbólicos, como o cemitério local. Para os moradores, o processo de demarcação representa não apenas segurança jurídica, mas também o resgate de uma história marcada pela resistência e pela preservação da identidade quilombola.

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