A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura as fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS rejeitou, nesta quinta-feira (16), todos os 11 requerimentos que pretendiam convocar José Ferreira da Silva, o Frei Chico, dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A votação, encerrada com 19 votos contrários e 11 favoráveis, representou uma derrota expressiva da extrema direita, que tem tentado transformar a CPMI em palanque político.
O Sindnapi é uma das entidades investigadas por suspeitas de irregularidades e descontos indevidos em benefícios, mas Frei Chico não é alvo de apurações da Polícia Federal.
A própria investigação da PF aponta que ele não ocupa funções administrativas ou financeiras no sindicato, onde atua há apenas um ano. Durante a sessão, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) reforçou esse ponto:
“O Frei Chico não tem nenhuma atividade administrativa, nenhuma atividade financeira, num sindicato que ele está há um ano. Ele não está há dez, desde 2015!”, afirmou.
Mesmo assim, parlamentares da oposição insistiram em convocá-lo, numa tentativa clara de associar politicamente o presidente Lula às investigações. O objetivo, segundo observadores, era produzir manchetes e desgastar o governo – estratégia recorrente dos deputados e senadores ligados ao bolsonarismo.
O relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), tem se tornado símbolo desse comportamento. Em diversas sessões, Gaspar tem sido contestado pela base progressista devido à sua postura autoritária, parcial e agressiva com depoentes e parlamentares. Sua condução tem sido marcada mais pela retórica política do que pela busca de fatos concretos.
Na mesma reunião, o pedido de prisão preventiva de Milton Cavalo Batista, presidente do Sindnapi, também foi rejeitado. A decisão consolidou um revés político para a extrema direita, que vem tentando sustentar uma narrativa de corrupção “petista” sem respaldo nas investigações oficiais.
À medida que avançam os depoimentos e a análise de documentos, a CPMI vem revelando outro cenário: a presença de empresários e intermediários ligados ao bolsonarismo nas operações suspeitas envolvendo créditos consignados e associações de aposentados. Esse dado desmonta o discurso moralista da oposição e reforça a percepção de que o verdadeiro esquema fraudulento foi articulado durante os anos de governo da extrema direita.
Com a derrota desta quinta-feira, 16, o bloco bolsonarista acumula isolamento político e desgaste público, enquanto a base governista e setores democráticos consolidam uma maioria estável na comissão, capaz de barrar tentativas de manipulação e transformar a CPMI em palco eleitoral da extrema-direita.
No balanço, o resultado da votação sobre Frei Chico evidencia que a ofensiva contra Lula voltou a fracassar. A tentativa de transformar a CPMI em instrumento de perseguição política perdeu força justamente quando os próprios articuladores da extrema direita passaram a ser alcançados pelas investigações. Os senadores Rogério Marinho e Sérgio Moro, além do ex-ministro Onyx Lorenzoni, já têm seus nomes citados em depoimentos e documentos que apontam relações com esquemas e intermediários ligados às fraudes no INSS.
A cada nova revelação, tornam-se mais frágeis e desmoralizados, expostos como facilitadores de um sistema que lesou milhões de aposentados, e não como defensores da moralidade pública que pretendiam parecer.







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