Em uma cena que ultrapassa os limites de Altamira, no Pará, e ecoa por todo o Brasil, uma declaração ofensiva contra professores expôs algo muito maior do que um simples episódio de intolerância. Segundo reportagem publicada pelo portal SUMAÚMA, uma liderança ruralista afirmou que “só bosta quer ser professor” durante uma mobilização contrária à demarcação de terras indígenas na Amazônia.
A frase chocou pela agressividade, mas, principalmente, porque revelou um fenômeno que vem se consolidando nos últimos anos: a transformação da educação pública, da ciência e do pensamento crítico em alvos políticos.
O ataque ao professor não acontece por acaso. Quando a figura de quem ensina é desmoralizada, enfraquece-se também a capacidade de uma sociedade questionar, refletir e compreender a própria realidade. É justamente por isso que discursos que demonizam escolas, universidades e pesquisadores costumam caminhar lado a lado com campanhas de desinformação, negacionismo e intolerância.
A reportagem do portal SUMAÚMA mostra que a declaração ocorreu em um contexto de disputa por terras indígenas, mas seu significado vai além da questão fundiária. Ao responsabilizar professores, universidades e a educação pública por escolhas políticas da população, constrói-se uma narrativa que transforma o conhecimento em inimigo e a ignorância em virtude. Nesse cenário, fatos passam a valer menos que crenças, estudos científicos são tratados como ameaças e o debate democrático perde espaço para a hostilidade.
O mais preocupante é que esse discurso encontra terreno fértil em uma sociedade marcada por desigualdades profundas. Quando milhões de pessoas convivem com insegurança econômica, medo do futuro e falta de oportunidades, torna-se mais fácil direcionar a frustração contra instituições públicas, educadores e grupos sociais historicamente excluídos. Em vez de discutir as causas reais dos problemas, cria-se um inimigo conveniente.
A história demonstra que nenhuma democracia se fortalece atacando seus professores. Pelo contrário. As nações que investem em educação, valorizam a ciência e respeitam o conhecimento são justamente aquelas que ampliam oportunidades, reduzem desigualdades e constroem sociedades mais livres. Desqualificar educadores não resolve crises; apenas aprofunda a incapacidade coletiva de enfrentá-las.
O episódio relatado pela SUMAÚMA é um alerta. Mais do que uma frase ofensiva, ele revela uma disputa sobre qual país queremos construir. Um país que valoriza a educação como instrumento de transformação social ou um país que transforma professores em inimigos para evitar perguntas incômodas. Afinal, quem teme a escola quase sempre teme aquilo que ela ensina: a capacidade de pensar por conta própria.






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