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“R$ 117 milhões do Iprev não pertencem ao prefeito, pertencem aos servidores”, diz Rui Palmeira

por | 14 jun, 2026

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Ex-prefeito de Maceió e pré-candidato a deputado federal, Rui Palmeira critica o investimento do Iprev no Banco Master, cobra explicações da gestão municipal e defende o aprofundamento das investigações sobre a aplicação de recursos da previdência dos servidores.

O investimento de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master colocou a gestão dos recursos previdenciários do município no centro de uma das maiores controvérsias financeiras do país. Enquanto crescem os questionamentos sobre a aplicação de recursos destinados a aposentadorias e pensões de milhares de servidores, a cobrança por explicações também aumenta.

Ex-prefeito de Maceió por dois mandatos e atualmente vereador licenciado, Rui Palmeira, que se prepara para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, critica a operação e defende o aprofundamento das investigações sobre os investimentos realizados pelo Iprev. Nesta entrevista, ele comenta as aplicações feitas durante sua gestão, cobra transparência da atual administração e avalia os desdobramentos do caso.

O Banco Master protagonizou o maior escândalo financeiro da história do Brasil, com prejuízos estimados em mais de R$ 120 bilhões. O Iprev aplicou R$ 117 milhões na instituição. Como o senhor avalia essa operação e quem deve ser responsabilizado por essa decisão?

Ter feito um investimento tão alto em uma instituição que já vinha sendo alvo de questionamentos é de uma irresponsabilidade completa. Estamos falando de R$ 117 milhões que não pertencem ao prefeito, nem a qualquer gestor. É dinheiro dos servidores públicos de Maceió, destinado a garantir aposentadorias e pensões de milhares de famílias.

Um recurso dessa importância deveria ser tratado com o máximo de zelo, segurança e transparência. O que aconteceu foi exatamente o contrário. É preciso investigar quem autorizou, quem recomendou, quem avaliou o risco, por que esse investimento foi feito e, principalmente, quem ganhou com essa negociata.

Durante a sua gestão na Prefeitura de Maceió, em quais instituições financeiras o Iprev aplicava os recursos destinados a garantir o pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores municipais?

Na nossa gestão, todo o recurso ficou por muitos anos no Banco do Brasil, uma das maiores instituições bancárias brasileiras e que sempre apresentou baixo risco. Os recursos do Iprev sempre foram aplicados com responsabilidade, prudência e segurança.

A orientação era muito clara: dinheiro de aposentadoria não pode ser tratado como aposta. Essa é a grande diferença. Quando se administra dinheiro público, principalmente da previdência, a obrigação do gestor é proteger, não arriscar.

Desde que veio à tona o escândalo envolvendo o Banco Master, o ex-prefeito João Henrique Caldas tem evitado se pronunciar sobre o assunto e processado jornalistas e veículos de comunicação que noticiam o caso. Na sua avaliação, por que ele se recusa a prestar esclarecimentos às mais de 20 mil famílias de servidores públicos que dependem dos recursos administrados pelo Iprev?

Essa é uma pergunta que o próprio João Henrique Caldas precisa responder. O que não dá é para uma gestão permitir que R$ 117 milhões do Iprev sejam colocados em uma operação como essa e, depois, simplesmente fugir das explicações.

Processar jornalista não responde a dúvida dos servidores. Silenciar não protege o aposentado. Evitar o debate não devolve segurança a quem depende do Iprev.

O mínimo que se espera é transparência: quem decidiu, com base em quê, quais alertas foram ignorados e quais providências estão sendo tomadas para proteger o dinheiro dos servidores.

O senhor tem conhecimento de outra operação financeira envolvendo recursos públicos municipais que some dezenas de milhões de reais em investimentos considerados irregulares ou sob investigação?

Além dos R$ 117 milhões investidos no Banco Master, o Iprev também fez outro aporte muito estranho: R$ 51 milhões no fundo imobiliário Nest Eagle, gerenciado pelo Banco Daycoval, que também aparece citado em investigações conduzidas pela Polícia Federal.

O Nest Eagle recebeu cerca de R$ 200 milhões de regimes próprios de previdência, e um quarto desse valor saiu do Iprev Maceió. Dos nove fundos de previdência que investiram no Nest Eagle, seis também aparecem ligados ao caso do Banco Master. É coincidência demais.

Qual é a sua expectativa em relação ao andamento das investigações?

A Polícia Federal já está realizando diversas operações envolvendo o esquema do Banco Master. Já passou pelo Rio de Janeiro, pelo Amapá, por Recife, e agora o caso está cada vez mais perto de Maceió.

A minha expectativa é que a investigação avance também por aqui, porque estamos falando de R$ 117 milhões do Iprev, dinheiro dos servidores municipais, aplicado em uma instituição envolvida em um escândalo de proporções nacionais.

É preciso investigar as entrelinhas dessa operação: quem autorizou, quem recomendou, quem se beneficiou e por que um valor tão alto foi colocado em risco.

Os servidores e aposentados de Maceió precisam de respostas. E quem tiver responsabilidade nesse caso precisa responder.

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