
Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva | Crédito: Ricardo Stuckert / PR
A corrida eleitoral de 2026 começa a impor escolhas difíceis ao PT e ao campo governista. Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o momento político cobra decisões firmes. “Há momentos em que a situação política exige atos corajosos”, avalia.
Análise recente da pesquisa Genial/Quest mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro, mas com vantagem menor do que em levantamentos anteriores. Para Ramirez, o dado revela um fenômeno particular: “Flávio aparece em segundo lugar sem apresentar propostas claras. Ele herda o capital político do pai e captura parte do eleitorado moderado cansado de Lula”.
O professor, no entanto, vê fragilidades nessa ascensão. “Ele tenta parecer moderado, mas isso pode afastar os bolsonaristas mais radicais. Se adotar o discurso de anistia ao pai, perde o eleitor moderado. Além disso, é uma incógnita em debates. Lula é conhecido; Flávio não”, afirma. Na avaliação dele, o pleito de 2026 vai além da disputa eleitoral: “Será um teste de maturidade democrática para as instituições e para a sociedade”.
Senado em disputa e resistência de Haddad
No cenário paulista, levantamento do Paraná Pesquisas aponta o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como favorito para uma vaga ao Senado, à frente de Marina Silva e do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite. Apesar disso, Haddad tem reiterado que não pretende disputar.
Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, o ministro relativizou a questão pessoal. “Não é uma questão de querer ou não. É necessário”, disse, ao destacar o risco de fortalecimento da extrema direita no Congresso, com impactos como pautas conservadoras, paralisia decisória e até tentativas de impeachment.
Ramirez minimiza a resistência do ministro e defende uma solução pragmática: “Ele pode se eleger, garantir a vaga e depois abrir espaço para o suplente. O que não pode é permitir que figuras reacionárias ocupem esse espaço”.
Derrite e o peso do desgaste
Para o cientista político, a candidatura de Derrite carrega fragilidades. Ele cita a saída conturbada da Secretaria de Segurança, protestos de policiais civis, operações malsucedidas e críticas até dentro da chamada bancada da bala. “O que o sustenta são programas policialescos e alas bolsonaristas radicalizadas. É um apoio limitado”, afirma.
Sobre o governador Tarcísio de Freitas, Ramirez avalia que há uma tentativa de equilíbrio político. “Ele busca o apoio de Bolsonaro sem uma associação direta, para atrair o eleitor moderado. Mas a rejeição ao bolsonarismo em São Paulo ainda é um fator imprevisível”.
Para o analista, o pano de fundo de 2026 é claro: mais do que nomes, a eleição colocará em jogo o rumo da democracia brasileira e a capacidade das forças políticas de responderem ao avanço da extrema direita com estratégia e responsabilidade institucional.




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