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Por Geraldo de Majella*
A temporada de especulações sobre candidaturas e alianças eleitorais tem ocupado jornalistas, blogueiros e analistas políticos. São noticiadas — e, por vezes, tratadas como certas — alianças que não resistem a gestos ou declarações dos próprios pré-candidatos. A especulação pode ser compreendida como um movimento que, em determinados momentos, confunde o leitor e o eleitor.
O silêncio também é estratégia. Há tempo para falar e há tempo para silenciar. O senador e ex-ministro Renan Filho (MDB), diante das especulações, ao chegar a Maceió vindo de Brasília, gravou um vídeo reafirmando o que nunca esteve em questão: a sua candidatura ao governo de Alagoas. Em menos de dois minutos, encerrou a “marola” em torno do tema.
Por outro lado, o silêncio quase obsequioso de JHC foi quebrado por ele próprio ao anunciar, no Sertão de Alagoas, que será candidato a governador.
Os governistas têm inserção em cada cidade do estado. Essa construção política e eleitoral não é resultado de atitudes pendulares. Eleição majoritária nunca foi — nem é — obra do acaso ou do improviso. O MDB e seus aliados vêm se preparando há quatro anos para a sucessão do governador Paulo Dantas.
O cenário político de Alagoas para 2026 começa, desta maneira, a tomar forma com a definição de JHC como candidato ao governo.
Outra possibilidade é a oposição lançar dois candidatos ao governo: JHC pelo PSDB e Alfredo Gaspar pelo PL. Esse cenário não pode ser dado como certo, mas também não pode ser descartado.
O chamado “Acordo de Brasília” envolve a nomeação de Marluce Caldas para o STJ pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Talvez a mudança de partido de JHC seja um indicativo, mas, se ele declarar voto em Lula, será um sinal evidente de que o acordo foi firmado e está sendo cumprido, o que motivará o lançamento de duas candidaturas da oposição.
Três blocos disputam o poder em Alagoas. De um lado, Renan Calheiros, Renan Filho, Paulo Dantas e Marcelo Victor formam o bloco MDB-PSD. Em outro campo, Arthur Lira lidera um bloco próprio. O ex-prefeito JHC segue em carreira solo; é um outsider, mas não é irrerlevante.
Na organização da campanha, Renan Filho aparece à frente. Arthur Lira demonstra preocupação com a eleição para o governo, mas tem concentrado energia em sua eleição para o Senado, na articulação para a eleição de seu filho à Câmara Federal e, claro, na formação de uma bancada de deputados federais na federação PP-União.
O quadro que se desenha é de confronto direto pelo governo e também de disputa pelas vagas no Senado.
*Historiador e jornalista






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