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Ex-braço-direito de Ciro Nogueira vira alvo da PF em investigação sobre fraudes bilionárias da Refit

por | 17 maio, 2026

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O ex-secretário-executivo da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, Jônathas Assunção Salvador Nery de Castro, tornou-se alvo da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e sonegação no setor de combustíveis. A informação foi revelada pela revista piauí

Ex-braço-direito do senador Ciro Nogueira na Casa Civil, Jônathas ocupou papel estratégico durante o governo Bolsonaro ao atuar na liberação de emendas parlamentares do chamado “orçamento secreto”. Posteriormente, também integrou o Conselho de Administração da Petrobras.

Segundo a reportagem da piauí, após deixar o governo federal, Jônathas passou a atuar como lobista da Refit, refinaria controlada pelo empresário Ricardo Magro, apontado pelos investigadores como o centro de uma organização suspeita de operar um complexo esquema de evasão fiscal e ocultação de patrimônio.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em decisão de 87 páginas, Moraes reproduz trechos do relatório da PF que apontam movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo uma empresa aberta por Jônathas em março de 2025, a Sary Consultoria e Participações Ltda.

De acordo com a investigação, a empresa teria recebido, em poucos dias de funcionamento, mais de R$ 1,5 milhão de companhias ligadas ao grupo de Ricardo Magro. Conforme a Polícia Federal, cerca de R$ 1,3 milhão foram rapidamente transferidos para contas pessoais de Jônathas, em um padrão que os investigadores classificam como típico de “empresa de passagem”, criada apenas para movimentação financeira sem atividade operacional compatível.

A piauí também destaca que Jônathas manteve relações próximas com integrantes do Senado e do setor regulatório de combustíveis, além de atuar diretamente junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP) em favor da Refit. A revista afirma ter obtido e-mails enviados pelo ex-integrante da Casa Civil a diretores da agência convidando-os para visitas técnicas à refinaria, utilizando endereço eletrônico ligado a empresas de Ricardo Magro.

A investigação da PF não se limita ao núcleo empresarial. Entre os alvos da Operação Sem Refino também estão o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, ex-integrantes da Secretaria de Fazenda fluminense, membros do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), um desembargador e até servidores da própria Polícia Federal.

Segundo os investigadores, o grupo teria utilizado estruturas do Estado para favorecer os interesses da Refit e evitar sanções administrativas e fiscais. A PF suspeita da existência de uma rede articulada entre agentes públicos e privados para garantir vantagens à empresa de Ricardo Magro.

A reportagem aponta ainda que a relação entre Ciro Nogueira e Ricardo Magro já havia sido mencionada anteriormente pela revista, inclusive em episódios envolvendo propostas legislativas relacionadas aos chamados “devedores contumazes”, tema de interesse direto do setor de combustíveis.

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