A recente exoneração de quatro defensores públicos do Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública de Alagoas, entre eles o coordenador Ricardo Melro, continua repercutindo entre organizações da sociedade civil e os próprios atingidos pelos crimes provocados pela Braskem em Maceió. Em uma publicação no Instagram, o defensor Daniel Coêlho Alcoforado Costa tornou pública sua indignação com a forma como foi retirado de suas funções.
“Estou encerrando, de forma forçada e silenciosa, meu ciclo no Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública de Alagoas. Foram quase sete anos de trabalho contínuo, sempre guiado pela tentativa sincera de defender o que é coletivo, o que é público, o que é justo”, escreveu Daniel.
Mas foi uma frase, em especial, que trouxe à tona o que parece ser o cerne do conflito:
“Não me afastei — fui afastado. Não por falta de trabalho ou de compromisso, mas por não corresponder às expectativas que não eram institucionais, nem republicanas.”
A declaração joga luz sobre um tema sensível: a possível interferência de interesses externos, econômicos ou políticos, na atuação de um órgão cuja missão constitucional é a defesa dos direitos coletivos e da população mais vulnerável.
Nos bastidores, cresce a cobrança para que o defensor público-geral, Fabrício Leão Souto, se manifeste publicamente sobre as razões que motivaram as exonerações — especialmente em um momento delicado, quando o núcleo estava prestes a apresentar um relatório técnico-científico sobre os impactos da mineração da Braskem, documento que, segundo os defensores, contesta versões oficiais apresentadas por órgãos do poder público.
Ao denunciar que foi afastado por não corresponder a “expectativas não republicanas”, Daniel Alcoforado revela um cenário preocupante: o de retaliações silenciosas, disfarçadas sob o manto da rotina administrativa. “A retaliação nem sempre grita — às vezes, ela vem assinada em papel timbrado, publicada sem alarde”, afirmou o defensor.
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A fala do defensor reforça o alerta feito por lideranças de movimentos sociais, como o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), que classificaram as exonerações como um atentado ao direito de defesa das mais de 60 mil pessoas diretamente afetadas pelo desastre urbano. Em vez de uma medida administrativa corriqueira, os desligamentos começam a ser interpretados como um possível gesto de silenciamento institucional.
Diante disso, cresce a pressão para que a Defensoria Pública de Alagoas — e especialmente seu chefe máximo — se posicione de forma clara, transparente e pública. A sociedade alagoana, os atingidos e os próprios defensores têm o direito de saber: quem ganha e quem perde com o desmonte do núcleo que vinha atuando, há anos, ao lado das vítimas do maior crime ambiental urbano do país.





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