O candidato ao Governo de Alagoas João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), compartilhou uma publicação nas redes sociais que questiona a imparcialidade da desembargadora eleitoral Natália França Von Sohsten, do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), e de sua esposa, a advogada Ana Lydia de Almeida Seabra.
A publicação ocorre no contexto de um processo eleitoral que discute se JHC pode ser chamado de “investigado” em conteúdos relacionados ao caso Banco Master/Iprev Maceió. Durante o julgamento virtual, Natália França pediu vista para analisar o processo.
O conteúdo compartilhado por JHC questiona o fato de Ana Lydia exercer função na estrutura do Executivo estadual e tenta relacionar esse vínculo profissional à atuação da desembargadora no processo eleitoral. A reportagem da Tribuna Hoje registra que a investigação da Polícia Federal mencionada no caso envolve o Iprev de Maceió, e não a autarquia estadual onde Ana Lydia exerce suas funções.
A exposição da relação conjugal entre Natália e Ana Lydia ocorre após uma sequência de publicações nas redes sociais que passaram a questionar a atuação da magistrada a partir da atividade profissional da esposa.
Três entidades representativas de mulheres da área jurídica — Associação de Mulheres Juristas de Alagoas (AMJA), Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica – Comissão Alagoas (ABMCJ-AL) e Associação das Mulheres Advogadas de Alagoas (AMADA) — divulgaram manifestações de solidariedade às duas profissionais.
As entidades afirmaram que vínculos profissionais ou conjugais, isoladamente, não demonstram favorecimento ou interferência em decisões judiciais e defenderam que a atuação de Natália seja analisada com base em seus atos, votos e fundamentos jurídicos. A AMADA classificou a exposição como uma forma de violência de gênero contra mulheres que ocupam espaços de poder.
O episódio também provocou cobrança por uma manifestação da OAB-AL. O ex-conselheiro federal da Ordem em Alagoas Adrualdo Catão publicou vídeo em que manifestou solidariedade à desembargadora e pediu uma reação pública da entidade diante dos ataques.
Procurada pela Tribuna Hoje, a OAB-AL informou que, por se tratar de uma situação envolvendo Natália no exercício da função de desembargadora eleitoral, os questionamentos deveriam ser direcionados à Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis) e ao próprio TRE-AL.
O processo ocorre em meio à disputa eleitoral em torno das aplicações de R$ 97 milhões do Iprev Maceió no Banco Master. Decisões recentes do TRE-AL mantiveram críticas políticas relacionadas à responsabilidade institucional de JHC pela gestão do instituto, embora a discussão sobre a possibilidade de qualificá-lo especificamente como “investigado” seja objeto de questionamento judicial.
Com Tribuna Hoje







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