Jornalistas e profissionais da comunicação realizaram, nesta terça-feira (29), um ato em Maceió em defesa da liberdade de imprensa e contra o que classificam como judicialização excessiva da atividade jornalística em Alagoas. A mobilização aconteceu no bairro de Jaraguá e reuniu profissionais e apoiadores da causa.
O protesto ocorre na reta final da campanha eleitoral e em meio ao aumento das disputas judiciais envolvendo candidatos, veículos de comunicação, jornalistas e produtores de conteúdo.
Segundo dados apresentados pelos organizadores e publicados pelo Tribuna do Sertão, 183 ações estão relacionadas ao candidato ao Governo de Alagoas JHC (PSDB), à Federação PSDB/Cidadania e à coligação Alagoas Gigante. Os processos envolvem diferentes autores e situações e, portanto, o número não significa que todas as ações tenham sido ajuizadas diretamente pelo candidato.
Entre os assuntos que estão no centro da disputa estão reportagens sobre investimentos realizados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master durante a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió.
Publicações jornalísticas sobre o caso resultaram em medidas judiciais, incluindo pedidos de retirada de conteúdo, direito de resposta e indenizações. A defesa de JHC argumenta que algumas publicações teriam ultrapassado os limites da atividade jornalística e atingido a honra e a imagem do candidato.
Os profissionais envolvidos nas reportagens, por sua vez, sustentam que informações relacionadas ao uso de recursos públicos e previdenciários são de interesse da população e devem ser submetidas à fiscalização jornalística.
O episódio reacende a discussão sobre os limites entre liberdade de imprensa e responsabilização judicial. Para os participantes do ato, o uso recorrente de processos pode gerar um ambiente de pressão sobre jornalistas, principalmente quando as reportagens envolvem agentes públicos e temas de interesse coletivo.
A mobilização acontece ainda em um cenário de outras disputas judiciais envolvendo meios de comunicação em Alagoas. Nos últimos dias, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou, em caráter cautelar, a suspensão da programação normal de nove emissoras de rádio e medidas contra dez perfis em redes sociais.
A decisão faz parte de uma investigação que apura possível uso indevido dos meios de comunicação e eventual favorecimento eleitoral. A medida é provisória e não representa uma conclusão definitiva sobre as acusações. Os investigados ainda podem apresentar defesa.
Com o primeiro turno das eleições marcado para 4 de outubro, a liberdade de imprensa e a atuação dos veículos de comunicação passaram a ocupar espaço importante no debate eleitoral em Alagoas. O ato desta terça-feira reforçou a cobrança de jornalistas por condições para exercer a profissão e divulgar informações de interesse público sem sofrer, segundo os participantes, mecanismos de intimidação.
Com informações da Tribuna do Sertão







0 comentários