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Levantamento aponta 69 parlamentares eleitos com processos ou investigações criminais

por | 8 out, 2026

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Ao menos 69 deputados e senadores eleitos nas eleições de 2026 respondem a processos ou são alvo de investigações criminais, segundo levantamento realizado pelo UOL. O grupo inclui parlamentares investigados por suspeitas de corrupção, desvio de dinheiro público, fraude em licitações, crimes ambientais e outros delitos.

Do total, 33 eleitos são réus em ações penais, enquanto outros 36 aparecem como investigados em inquéritos que ainda não resultaram em denúncia formal. Na prática, o levantamento aponta que aproximadamente um em cada nove parlamentares eleitos para a Câmara e o Senado está nessa situação.

Entre os réus, pelo menos 20 respondem a acusações relacionadas ao uso irregular de recursos públicos, incluindo peculato, corrupção, desvio de verbas e fraudes em licitações.

Um dos casos citados é o do deputado alagoano Isnaldo Bulhões (MDB), reeleito para a Câmara. Ele é réu por peculato em um processo relacionado ao período em que exerceu mandato de deputado estadual em Alagoas.

Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, Bulhões teria utilizado notas e recibos considerados fictícios para desviar cerca de R$ 242 mil em recursos de gabinete. Os fatos investigados são de 2014.

Outro nome citado é o do deputado eleito Felipe Show (União-AP), que responde a três ações na Justiça do Amapá. Em um dos processos, ele é acusado de corrupção e de obter, sem licitação, uma permissão para exploração do transporte coletivo em Macapá.

Felipe Show também foi preso por cinco dias em 2018 durante uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de R$ 9 milhões da Assembleia Legislativa do Amapá.

O levantamento também cita Ney Santos (Republicanos-SP), ex-prefeito de Embu das Artes e deputado federal eleito. Ele é réu por organização criminosa e alvo de acusações relacionadas a suposta lavagem de dinheiro. O Ministério Público também investiga uma possível ligação com o PCC, acusação que é contestada pela defesa.

Emendas parlamentares

Parte das investigações envolve emendas parlamentares.

O deputado eleito Júnior Betão (PL-AC), por exemplo, foi condenado em primeira instância por peculato no caso conhecido como Operação Sanguessuga, relacionado a recursos de emendas destinados a convênios do Ministério da Saúde. A decisão ainda é passível de recurso.

Já a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) é alvo de apuração determinada pelo Supremo Tribunal Federal para verificar se uma emenda de R$ 250 mil teria financiado propaganda eleitoral.

Outros parlamentares reeleitos, como Elmar Nascimento (União-BA), Yury do Paredão (MDB-CE), Félix Mendonça e Juscelino Filho, aparecem no levantamento como investigados no STF em diferentes apurações envolvendo suspeitas de irregularidades com emendas.

O deputado Mario Frias (PL-SP) também é investigado pela Polícia Federal por suspeitas envolvendo R$ 2 milhões em emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil. A investigação apura se os recursos tiveram relação com a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Frias afirmou anteriormente que pretende apresentar os documentos necessários para esclarecer o caso e provar sua inocência.

Outros crimes

O levantamento ainda relaciona parlamentares eleitos a processos por fraude em licitações, violência doméstica, crimes ambientais, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e outras acusações.

Entre os citados estão Wilson Santiago (Republicanos-PB), Junior Lourenço (MDB-MA), Jadyel Alencar (Republicanos-PI), Elmo Vaz (Avante-BA), João Maia (PP-RN) e Felipe Show, que são réus em processos relacionados a supostas fraudes em licitações.

Paulo Bilynskyj (PL-SP), reeleito, responde a processo por violência doméstica. Já Sidney Leite (PSD-AM) é alvo de ação relacionada a suspeitas de desvio de recursos da previdência dos servidores de Manaus. Ele nega irregularidades.

Juarez Costa (Republicanos-MT) é réu por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em processo decorrente da Operação Sorrelfa. A acusação envolve supostas vantagens recebidas durante o período em que era prefeito de Sinop.

Investigação não significa condenação

O levantamento não significa que os 69 parlamentares tenham sido condenados. Parte deles é apenas investigada, enquanto outros respondem a ações penais que ainda estão em andamento.

Pela Constituição, a suspensão dos direitos políticos ocorre, em regra, após condenação criminal definitiva, quando não há mais possibilidade de recurso. A Lei da Ficha Limpa, porém, estabelece hipóteses de inelegibilidade para pessoas condenadas por órgãos colegiados em determinados crimes, mesmo quando ainda há possibilidade de recurso.

Os parlamentares citados foram procurados para apresentar suas versões sobre os casos. Nos casos em que não houve resposta, o espaço permanece aberto para manifestação.

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