Em um momento carregado de emoção e significado histórico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reencontrou, na última quinta-feira (29), os advogados Luiz Carlos Rocha, o “Rochinha”, e Manoel Caetano, que o acompanharam durante os 580 dias em que esteve preso na sede da Polícia Federal em Curitiba. O reencontro aconteceu durante a cerimônia de oficialização da posse da terra para mais de 400 famílias da Comunidade Maila Sabrina, no interior do Paraná.
O presidente fez uma deferência pública aos dois defensores, que acompanhavam a solenidade em um espaço reservado, e relembrou a rotina de encontros que marcaram os dias de sua prisão — considerada por ele e por juristas de todo o mundo como fruto de uma armação liderada pelo então juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato.
“Receber carta de amor vale mais que um presente. Eles sabem a ansiedade que eu ficava esperando as cartas”, disse Lula, emocionado, referindo-se à correspondência que mantinha com a socióloga Janja Lula da Silva, hoje sua esposa. Segundo o presidente, foi por meio dos advogados que as cartas de amor foram trocadas ao longo daquele período.
Prisão política e a “República de Curitiba”
Lula foi preso em abril de 2018 após condenação em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá, julgamento conduzido por Sérgio Moro — que mais tarde se tornaria ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, adversário político de Lula. A condenação, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal, foi considerada parcial e sem provas concretas. A atuação de Moro e dos procuradores da Lava Jato ficou conhecida como parte do que passou a ser chamado de “República de Curitiba”, um núcleo de poder judicial que, segundo críticos e especialistas, agiu politicamente para interferir nos rumos democráticos do país.
A anulação das condenações e o reconhecimento da suspeição de Moro pelo STF possibilitaram que Lula concorresse novamente à Presidência da República em 2022, sendo eleito para o seu terceiro mandato.
Celebração e reparação histórica
O ato em Ortigueira simbolizou não apenas a realização do direito à terra para centenas de famílias, mas também um reencontro com o passado recente de perseguição política. Rochinha e Manoel Caetano, que estiveram ao lado de Lula dia após dia durante o período de cárcere, foram saudados com carinho e respeito.
“Foi um momento de humanidade e de luta”, disse uma liderança local presente à cerimônia. “O reencontro com os advogados nos lembra que ninguém resiste sozinho — e que a verdade, um dia, sempre encontra o seu caminho.”





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