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Movimentos Populares articulam resistência contra a ofensiva imperialista

por | 15 jan, 2026

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Brasilia DF 08/01/2026 Ato em Defesa da Democracia – Sem Anistia para Golpistas e Pelo Veto ao PL da Dosimetria, também defende soberania da Venezuela. Fotos Públicas: Alessandro Dantas

Por Davi Molinari, do portal Vermelho

A Plenária Nacional dos Movimentos Populares, convocada para o próximo sábado (17), nasce no contexto de uma urgência histórica. O encontro ocorre em meio à gravíssima escalada do governo de Donald Trump contra a Venezuela, que combina o estrangulamento econômico — derivado de um bloqueio “total e completo” a petroleiros — com a agressão militar que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro.

Diante desse cenário, as forças progressistas brasileiras se articulam para transformar a indignação em ação política concreta, reafirmando a América Latina como uma zona de paz e soberania.

MST: Solidariedade, formação e batalha das ideias

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chega à plenária com a missão de transformar o encontro em um centro de resistência e contrainformação. Para Ceres Hadich, da Direção Nacional do movimento, o espaço deve servir para um “nivelamento” da conjuntura frente às narrativas da mídia hegemônica aliada ao imperialismo. “A expectativa dessa Assembleia é poder formar, informar e multiplicar esse entendimento para fortalecer a batalha das narrativas”, afirma a dirigente.

Ceres destaca que o MST enxerga a necessidade de ir além do convencimento digital, ocupando o espaço físico da disputa política. “Para além de ter pessoas convencidas e atuando em redes, elas devem se somar a um processo mobilizatório que possa ganhar corações, mentes e ruas, para externalizar para a sociedade brasileira e latino-americana esse entendimento na prática”, pontua.

Para o movimento, a agressão à Venezuela é indissociável da disputa pelos recursos naturais no Brasil. Ceres alerta que o domínio militar estadunidense encara o continente como um “ponto de controle”, visando riquezas que vão do petróleo venezuelano à questão agrária brasileira. “A nossa questão agrária é absolutamente perpassada por essa disputa das nossas riquezas: não só das terras, mas dos minerais e da biodiversidade. O ataque à soberania venezuelana é um ataque à soberania latino-americana”, reforça, lembrando que a defesa dos territórios camponeses no Brasil é também a defesa da resistência bolivariana.

A classe trabalhadora sob mira

Para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a plenária é o instrumento para uma resposta política de massas. O secretário-geral da entidade, Ronaldo Leite, avalia que o ataque da Casa Branca não é um fato isolado. “Trump recoloca toda a América Latina como alvo estratégico e parte dessa ofensiva está diretamente relacionada ao interesse dos EUA nas reservas de petróleo da Venezuela”, afirma.

Leite ressalta que a agressividade estadunidense atinge frontalmente a classe trabalhadora, pois agrava o bloqueio econômico e fragiliza políticas sociais. Por isso, a CTB defende que a plenária valide um plano nacional que “avance numa jornada de lutas com dias nacionais de mobilização para colocar o povo nas ruas, ampliar a solidariedade e enfrentar a ofensiva imperialista”. Para o dirigente, a defesa da democracia deve envolver amplos setores. “A solidariedade não pode ficar restrita à esquerda; é preciso envolver todos que defendem soberania, democracia e paz no continente”, disse.

Juventude e Soberania Nacional

A presidenta da União Nacional dos Estudantes, Bianca Borges, destaca que a plenária será um espaço de reorganização política para consolidar uma agenda contínua de mobilização. A UNE vincula a resistência contra o imperialismo à luta pelos direitos sociais no Brasil. “Sanções e bloqueios afetam diretamente universidades, políticas de permanência estudantil e a produção científica”, explica.

Para a dirigente estudantil, a ingerência histórica dos EUA na região utiliza a Venezuela como um “laboratório de intervenção” que não por acaso serve aos mesmos interesses que, no Brasil, defendem o desmonte da educação pública. Bianca projeta 2026 como um ano de campanha permanente, com a juventude como sujeito estratégico. “Defender a Venezuela é também uma tarefa pedagógica: formar consciência crítica, recuperar a memória histórica das lutas latino-americanas e reafirmar a educação como instrumento de soberania nacional”, aponta.

Hegemonia em crise e precedentes perigosos

As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e os movimentos sociais chegam unidos à Plenária Nacional. Ana Priscila Alves, da Marcha Mundial das Mulheres e coordenação continental da ALBA Movimentos, identifica na agressividade de Washington o sintoma de “uma hegemonia em crise” perante a ascensão de polos como a China e os Brics. “Quando Trump tem liberdade para invadir a Venezuela e sequestrar seu presidente eleito, isso é um precedente absurdo. Significa que ninguém no mundo está seguro”, alerta.

Ana Priscila destaca a dimensão energética e financeira que envolve essa disputa criada por Donald Trump. A tentativa estadunidense de punir transações fora da hegemonia do dólar traz consequências para a autonomia brasileira e para o plano dos Brics. Por outro lado, Ana Priscila enfatiza que os movimentos sociais devem ter a importância da experiência venezuelana como referência de poder popular: “É uma experiência revolucionária que caminha com o povo e que se tornou alvo justamente por não se submeter à lógica neoliberal”, conclui.

A defesa da Venezuela é a defesa da democracia brasileira

A plenária de 17 de janeiro, que contará com a presença de representantes venezuelanos, já mira o dia 28 de janeiro como o início de uma jornada de grande impacto nas ruas. Para Ceres Hadich, essa prática solidária é, acima de tudo, um exercício de humanização da militância. “Trazer a solidariedade para dentro dos nossos territórios é fundamental porque, na medida em que a gente se expõe à ação da solidariedade, a gente se abre a um processo de crescimento e humanização”, reflete a liderança do MST.

Os movimentos sociais desenham uma estratégia de enfrentamento ao imperialismo que combina ações pedagógicas e mobilização de massas. A defesa da Venezuela é a defesa da própria democracia brasileira e do direito dos povos de decidirem o próprio destino sem a tutela de potências estrangeiras.

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