Por Geraldo de Majella*
A conjuntura política em Alagoas não está favorável para a esquerda. Há retração organizativa, dispersão de energias e ausência de um programa capaz de orientar debates, mobilizar militantes e dialogar com a sociedade. Ainda assim, mesmo num ambiente adverso, existem possibilidades concretas a serem reconquistadas — desde que se reconheçam os limites atuais e se reorganizem as condições para avançar.
O tempo perdido não volta. As energias dissipadas não são recuperadas. Isso se aplica, sobretudo, aos partidos que deveriam protagonizar a disputa de ideias, valores e projetos. Um partido de esquerda não pode prescindir de um programa mobilizador: é ele que orienta a militância, fortalece vínculos afetivos, eleitorais e ideológicos com o povo e define, perante a sociedade, o lugar que se ocupa no campo político. No caso do PT, maior força do campo progressista, a ausência programática enfraquece a capacidade de disputa e o diálogo com os segmentos sociais que historicamente o acompanham.
Um partido de esquerda é — ou deve ser — instrumento de mobilização das lutas sociais. É espaço de formação política, de experiências coletivas e de sínteses que nascem da luta de classes. É também porta-voz dos trabalhadores, das populações vulneráveis das periferias e do campo, das classes médias de matriz democráticas e do pensamento intelectual crítico. Cumpre-lhe disputar corações e mentes, negociar quando necessário e enfrentar, com firmeza, quando a conjuntura exige clareza ideológica.
O PT de Alagoas permanece necessário — e, para não ser exclusivista, os demais partidos de esquerda também são indispensáveis no processo de luta social e de afirmação do pensamento de esquerda. Mas a necessidade, por si só, não assegura relevância histórica. Para cumpri-la, o partido terá de se reinventar política e organicamente: reaproximar-se das lutas reais, investir na formação de sua militância, reconstruir vínculos com os movimentos sociais e apresentar à sociedade um projeto claro, consistente e transformador.
Os processos eleitorais não são eventos isolados. São momentos de avaliação das trajetórias, de teste das lideranças e de exposição dos frutos — ou dos vazios — da preparação anterior. Quadros políticos não se improvisam na véspera: formam-se no cotidiano da política, na escuta do povo e na vivência das lutas que moldam o caráter coletivo.
Reorganizar estruturas, recuperar vínculos, atualizar seu programa, inspirar confiança e recolocar o povo como sujeito central da política. A reconstrução não será simples, mas é não apenas possível: é urgente.
*Historiador e jornalista






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