A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º) a chamada “Operação Wi-Fi”, que investiga supostas irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a investigação, o contrato da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), voltado à instalação de pontos de internet gratuita em comunidades da periferia paulistana, teria sido ampliado de R$ 108 milhões para R$ 157,1 milhões por meio de aditivos. A polícia suspeita que ao menos R$ 26 milhões tenham sido pagos sem a efetiva prestação do serviço.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao instituto, à produtora Go UP Entertainment e à própria secretaria municipal. A ação foi autorizada pela 1ª Vara Regional das Garantias.
As investigações apontam indícios de direcionamento na licitação, já que o ICB teria sido o único participante do processo, apesar de não possuir histórico de atuação no setor de telecomunicações. Conforme a apuração, a entidade atuava anteriormente em feiras literárias e eventos religiosos.
A polícia também apura suspeitas de desvio de recursos públicos para custear a produção do filme “Dark Horse”. O delegado Antônio Carlos Munuera Silveira solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) análise das movimentações financeiras do instituto.
Em documento enviado à Justiça, o delegado afirmou haver “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre o instituto e a produtora cinematográfica.
O caso também envolve o senador Flávio Bolsonaro, citado em reportagens sobre negociações de financiamento do longa-metragem. O roteiro do filme é assinado pelo deputado federal Mário Frias, que destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB. O repasse é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal.
A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades e informou, em nota, que o contrato seguiu “os princípios da legalidade, transparência e economicidade”. A gestão do prefeito Ricardo Nunes afirmou ainda que colabora com as investigações e que os pontos de Wi-Fi seguem funcionando normalmente.
Segundo a administração municipal, dos 3,2 mil pontos contratados, apenas 52 estavam fora de operação nesta segunda-feira, em manutenção. A prefeitura também declarou que os valores pagos atualmente são inferiores aos de propostas apresentadas em anos anteriores.








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