Por Geraldo de Majella*
A tendência interna Construindo um Novo Brasil (CNB), do Partido dos Trabalhadores em Alagoas, encerra um longo ciclo de hegemonia que remonta à fundação da legenda no estado, em 1980. Naquele processo inicial, as lideranças eram majoritariamente oriundas do movimento sindical.
O sindicalista Pedro Luiz da Silva, junto a diversos trabalhadores urbanitários, integrava as direções estadual e municipal de Maceió. Também se destacava o radialista Adelmo dos Santos, então presidente do Sindicato dos Radialistas de Alagoas, atualmente o último representante daquela geração em atividade orgânica.
Com os resultados do Processo de Eleições Diretas (PED) de 2025, essa configuração se transforma. A hegemonia política migra para o campo das correntes Resistência Socialista e Democracia Socialista (DS), Movimento PT, Ruas e Redes e Articulação de Esquerda que conquistaram a presidência dos diretórios estadual e municipal de Maceió, respectivamente.
O deputado federal Paulão, embora não tenha feito parte do grupo fundador do partido, teve papel central na história do PT em Alagoas nos últimos 35 anos. Foi presidente do Sindicato dos Urbanitários, vereador de Maceió, deputado estadual, deputado federal e também presidiu por vários anos o diretório estadual. Sua derrota neste processo marca uma inflexão significativa na correlação de forças internas.
As disputas pelo controle partidário atingiram, nesta eleição, níveis de tensão inéditos, com acusações públicas, denúncias formalizadas e até judicialização de etapas do processo.
Com o resultado das urnas internas, a responsabilidade agora recai sobre os vencedores, que passam a ter o desafio de conduzir o partido com serenidade, abrir canais de diálogo e restabelecer um ambiente político-institucional estável. A vitória eleitoral precisa vir acompanhada de capacidade de distensionamento e de exercício da humildade política, atributo essencial para quem assume a condução de um partido de massas.
O PT não pertence apenas aos seus filiados, mas também a seus eleitores, simpatizantes e a um campo mais amplo da esquerda. Como instrumento de transformação social, não pode se deixar aprisionar em disputas internas permanentes, sob risco de comprometer sua função histórica.





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