Por Geraldo de Majella*
A votação que derrubou o decreto presidencial que taxaria os super-ricos foi um divisor de águas — não apenas pela covardia de 383 deputados liderados por Hugo Motta (Republicanos-PB), mas também pela reação popular nas redes sociais, que explodiu em vídeos, memes, análises e denúncias. A resposta da elite veio no dia seguinte: o Jornal Nacional partiu para o ataque.
A matéria exibida no dia 3 de julho dedicou longos minutos não para discutir o mérito da taxação — que afetaria menos de 0,1% da população mais rica do país —, mas para reclamar da indignação popular nas redes sociais. Para a Globo, o problema não é o Congresso que protege os super-ricos. O problema são os vídeos que viralizam, os influenciadores que explicam e o povo que entende.
Ao chamar de “ataques à democracia” o levante digital contra os parlamentares que atuaram contra a justiça tributária, a Globo revela seu incômodo com a politização das redes. O que incomoda não é a crítica, mas a clareza: a população começa a identificar quem são os verdadeiros inimigos do país — e não são os professores, os trabalhadores ou os programas sociais.
O que os vídeos revelam — e por que incomodam:
• Mostram quem votou contra a taxação dos bilionários.
• Expõem quanto cada deputado recebeu de doações de bancos e fundos de investimento.
• Apontam o papel de figuras como Hugo Motta, que atuou para blindar os super-ricos.
• Conectam a votação com os interesses do sistema financeiro — o mesmo que anuncia diariamente na Globo.
Essa combinação entre informação acessível, linguagem direta e revolta genuína assusta a emissora que por décadas controlou o debate nacional. A Globo está perdendo o monopólio da narrativa, e sabe disso.
Por isso, tenta desqualificar quem viraliza a verdade.
Uma emissora com medo da justiça fiscal
Não é coincidência. A Globo lucrativamente atua como parceira do mercado financeiro:
• Troca publicidade por ações de fintechs (como no caso do Nubank).
• Investe em startups e plataformas de crédito.
• Recebe milhões dos maiores bancos como patrocinadores.
A emissora que silenciou sobre os lucros recordes dos bancos agora finge preocupação com a democracia ao ver o povo denunciando os privilégios dos bilionários. Mas o que realmente a incomoda é o seguinte: a população não está mais desinformada. Está conectada, crítica e mobilizada.
O barulho nas redes é legítimo. É popular. E é democrático.
Se a Globo prefere proteger os ricos e desqualificar a reação popular, está mais uma vez no lado errado da história. Mas o povo aprendeu a fazer jornalismo por conta própria — com vídeos curtos, contundentes e virais.
E é por isso que eles tremem.
*Historiador e jornalista





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