Um episódio de intimidação contra estudantes e uma professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no campus de Arapiraca, mobilizou a comunidade acadêmica e levou a universidade a acionar órgãos de segurança pública.
Em reportagem publicada nesta sexta-feira (9), o Diário do Centro do Mundo (DCM) apontou o vereador Alisson da Tim (PP), de Arapiraca, como integrante do grupo envolvido na ocorrência registrada na noite de quinta-feira (8).
Segundo os relatos reunidos pelo DCM, cerca de oito homens chegaram à universidade em duas caminhonetes com imagens do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O grupo teria procurado identificar os responsáveis pela colocação de cartazes contrários à candidatura do senador nos espaços da instituição.
Durante a abordagem, uma professora interveio e, conforme os relatos, foi intimidada. Estudantes também denunciaram a retirada dos cartazes e o comportamento agressivo dos homens. A ocorrência provocou preocupação entre integrantes da comunidade universitária, diante da possibilidade de novas investidas no campus.
O episódio envolve questões que ultrapassam uma divergência eleitoral. A universidade pública é um espaço de ensino, pesquisa, extensão e livre manifestação de ideias. A entrada de pessoas para intimidar estudantes ou docentes em razão de suas posições políticas, caso confirmada pela investigação, representa uma ameaça à liberdade de expressão e à autonomia da vida acadêmica.
Ufal aciona autoridades
Em nota divulgada nesta sexta-feira, a gestão central da Ufal confirmou que uma professora e estudantes sofreram insultos e agressões verbais no campus de Arapiraca. A instituição informou ter encaminhado solicitações à Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, à Superintendência da Polícia Federal, ao Ministério Público Federal, ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, à Prefeitura e à Câmara Municipal de Arapiraca.
A universidade também solicitou reforço no monitoramento e nas ações de segurança no entorno dos campi de Arapiraca e Maceió. Na manifestação, a Reitoria reafirmou o compromisso com a integridade física da comunidade acadêmica e com a garantia do direito à livre manifestação.
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) também divulgou nota de solidariedade à comunidade acadêmica de Arapiraca e repudiou a tentativa de intimidação relatada por professores e estudantes. A entidade anunciou que protocolaria um pedido de investigação junto à Polícia Federal.
Paulão denuncia o caso à Polícia Federal
O deputado federal Paulão (PT-AL) também se manifestou sobre o episódio e informou ter denunciado o caso à Polícia Federal. O parlamentar expressou solidariedade à professora Betânia e aos estudantes da Ufal em Arapiraca, que, segundo ele, denunciaram agressões morais e ameaças atribuídas a um vereador bolsonarista e a integrantes de sua equipe.
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Em sua manifestação, Paulão cobrou a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos. O deputado afirmou que não se deve admitir qualquer forma de intimidação ou violência e defendeu a universidade como espaço de educação, liberdade e democracia.
“Todo apoio e solidariedade à professora Betânia e aos estudantes da UFAL de Arapiraca, que denunciaram agressões morais e ameaças por parte de um vereador bolsonarista e de sua equipe!”, escreveu o parlamentar.
Paulão acrescentou: “Não vamos admitir qualquer forma de intimidação ou violência! Que as autoridades competentes apurem rigorosamente o caso e responsabilizem os envolvidos”.
Ao encerrar a manifestação, o deputado reafirmou sua defesa da liberdade no ambiente universitário: “A universidade é espaço de educação, liberdade e democracia. Fascistas não passarão”, afirmou Paulão.







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