O Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (Gaesf) do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) deflagrou, na manhã desta terça-feira, 21, a “Noteiras III”. Foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva – seis em Maceió e dois em Santa Catarina -, e mais 14 de busca e apreensão – dez em Maceió e quatro em Santa Catarina – por determinação da 17ª Vara Criminal da Capital.
Até o momento, o MPAL anuncia como presos em Alagoas os suspeitos João Praxedes Filho, Léa Rodrigues Heuer, Erisson Marques da Silva, Cícero Ângelo Peixoto Oliveira e Gessica Aurélio da Silva Santos. E, em Santa Catarina, Jaison Nandi Cardozo.
A ação tem como alvo 18 pessoas acusadas de integrar uma Organização Criminosa (Orcrim) altamente especializada em fraudes societárias e tributárias, que emitiram mais de R$ 23.139.428,78 em notas fiscais falsas. A pedido do Gaesf, a 17ª Vara Criminal também determinou o bloqueio de contas-correntes de pessoas físicas e jurídicas, além de bens móveis e imóveis no valor já referido.
A operação também mobilizou efetivos das Secretarias da Fazenda, das Polícias Civil e Militar e da Polícia Científica dos dois estados, bem como da Procuradoria-Geral do Estado de Alagoas. Além destes crimes, a Orcrim se aproveitou de pessoas em situação de grave vulnerabilidade social, utilizando-as para a obtenção de Tokens (certificados de assinatura digital) que possibilitaram as inúmeras fraudes.
De forma dolosa, duas empresas situadas no estado de Santa Catarina têm participação nos esquemas fraudulentos que causaram vultosos prejuízos que estão em apuração pelas Sefaz/AL e Sefaz/SC.
Além dos chefes, a organização tem um segundo escalão com integrantes de núcleos familiares, empresários, contadores e testas-de-ferro, já devidamente identificados e que serão alvo em ações penais separadas, de acordo com o eixo de atuação. Eles estarão sujeitos a penas que poderão alcançar até 80 anos de reclusão.
O esquema
De acordo com o Gaesf, as fraudes aconteceram por meio da emissão de 100 notas fiscais fraudulentas, no valor aproximado de R$ 23 milhões, através de quatro empresas de fachada, com informações inverídicas relativas à propriedade e gestão desses estabelecimentos comerciais que, na prática, jamais existiram. Estas empresas são conhecidas como paper companies.
Para o cometimento dos ilícitos penais havia participação criminosa de contadores, empresários, “testas-de-ferro” ou “laranjas”. É provável que haja uma extensão do grupo criminoso, razão pela qual, além dos investigados em Alagoas e Santa Catarina, o Ministério Público também apura o envolvimento de mais pessoas em outras unidades da federação.









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