quarta-feira, 29 abril 2026
Nublado
Maceió
30°C
Nublado
Banner
Nublado
Maceió
30°C
Nublado
Banner

PT em Alagoas não supera dificuldades nas alianças eleitorais

por | 6 abr, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Assessoria

Por Geraldo de Majella*

O Partido dos Trabalhadores (PT) não tem, em sua origem, a política de alianças como eixo central de sua atuação, tampouco a construção de frentes políticas amplas. Um dos primeiros movimentos que sinalizou mudança nesse paradigma foi a aliança com o PL, que indicou o empresário e senador mineiro José Alencar como vice na chapa presidencial. A experiência, bem-sucedida no plano nacional, marcou uma inflexão importante na trajetória petista, mas não foi incorporada ao cotidiano do partido nos estados e municípios, nem se constituiu como uma cultura política petista.

A tradição da esquerda comunista brasileira, por outro lado, sempre esteve vinculada à construção de alianças eleitorais e frentes amplas. Em diferentes momentos históricos, tanto o Partido Comunista Brasileiro quanto o Partido Comunista do Brasil foram protagonistas na formação de frentes democráticas, atuando em âmbito nacional e também em contextos locais, como em Alagoas.

No estado, é importante lembrar que, em décadas passadas, houve lideranças comunistas com expressiva capacidade de articulação política. Nos anos 1950 e 1960, até o golpe militar, Jayme Miranda e outros dirigentes do PCB construíram alianças que reuniam setores democráticos e até segmentos de centro-direita.

Posteriormente, entre as décadas de 1970 e 2000, Eduardo Bonfim, dirigente do PCdoB, deu continuidade a essa tradição, liderando articulações políticas e eleitorais no campo progressista. Em 1986, foi eleito deputado constituinte por meio de uma aliança de centro-esquerda.

A falta de compreensão e a baixa expressão eleitoral do PT são dados da realidade que não poderiam ter sido desconsiderados por seus dirigentes, especialmente pelo deputado Paulão, o mais longevo parlamentar petista. O que se observou foi a incapacidade de articulação política e, sobretudo, a ausência de uma elaboração coletiva de uma política de alianças que ultrapassasse o pragmatismo do “toma lá, dá cá”. Soma-se a isso a incapacidade de compreender que um partido de esquerda, em Alagoas, deve ser um instrumento social dos pobres, e não uma peça de conveniência a serviço das elites políticas e econômicas.

A aliança com o MDB, liderado pelo senador Renan Calheiros, foi, do ponto de vista eleitoral, o movimento mais consistente do PT em Alagoas. Ainda assim, faltaram compreensão política e maturidade para evitar choques recorrentes — muitas vezes provocados pelo próprio parlamentar petista.

O enfraquecimento dessa aliança teve consequências diretas: o PT, sob o comando de Paulão, não conseguiu estruturar chapas competitivas para deputado federal, capaz de atingir o coeficiente eleitoral estimado em 180 mil votos. É importante dizer, de forma clara, que, em todas as eleições, o deputado federal Paulão contou com a contribuição de milhares de votos de aliados do MDB, leia-se Renan Calheiros, nas últimas eleições, além do governador Paulo Dantas e do deputado Marcelo Victor na eleição de 2020.

O roteiro que inviabilizou a reeleição de Paulão é conhecido por setores do partido, embora nem toda a base compreenda os sinais emitidos pelos aliados. Em 2022, sua eleição esteve associada à filiação de Luciano Amaral ao PV, partido que integra a Federação Brasil da Esperança — ambos se elegeram.

A saída do deputado Luciano Amaral do PV para o PSD eliminou ou diminuiu muito a possibilidade de reeleição de Paulão.

Outro episódio marcante foi a entrevista concedida ao jornalista Ricardo Mota, na qual Paulão criticou publicamente o senador Renan Calheiros, revelou bastidores políticos e lançou-se candidato ao Senado sem consulta prévia ao partido ou aos aliados — que passaram, inclusive, a ser alvo de críticas.

Na sequência, o deputado direcionou críticas ao também deputado Ronaldo Medeiros, seu correligionário, aprofundando divisões internas.

O resultado foi imediato: Paulão sofreu a maior derrota interna em 46 anos de história do PT em Alagoas. Ronaldo Medeiros, junto a outras tendências partidárias, impôs uma derrota expressiva aos candidatos do grupo do parlamentar, vencendo as eleições dos diretórios em Alagoas e em Maceió.

O desespero não é o melhor conselheiro. Paulão filiou, por meio do presidente nacional do PT, o ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves (GG), e sua filha, a deputada estadual Gaby Gonçalves. GG é bolsonarista e está envolvido em diversos processos por desvios de dinheiro público, inclusive do orçamento secreto. Diante da pressão da militância, em 24 horas, o ato foi revogado.

Esse conjunto de episódios compõe um roteiro que exemplifica como não se deve conduzir a política nem dirigir um partido com a história e a relevância do PT.

*Historiador e jornalista

2 Comentários

  1. Paulo Lima Neto

    Curioso é que o articulista que o articulista diz que “o PT, sob o comando de Paulão, não conseguiu estruturar chapas competitivas para deputado federal, capaz de atingir o coeficiente eleitoral estimado em 180 mil votos”. A narrativa é estranha porque o COMANDO do partido é do Ronaldo Medeiros, um homem de confiança de Renan Calheiros. Medeiros ainda filiou no PT o bolsonarista Tarcísio Freire, sem nenhuma uma discussão de principios dentro do partido. O articulista não questionou nada e agora diz que Paulão e rolete chupado. Os principios do jornali$ta a serviço de quem?

    Responder
  2. Maria curiosa

    Paulo Lima,

    “Os principios do jornali$ta a serviço de quem?”
    Resp.: Dos Calheiros e do Governador Paulo Dantas.
    Vc já leu algo desse jornalista sobre o ROMBO/ROUBO na SESAU? Sobre a mala preta do governador e Marcelo Victor na época da campanha eleitoral passada, no hotel Ritz Lagoa da Anta? Nada ! Nada !

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *