Por Duse Leite*
Setembro chega carregado de símbolos. Bandeiras nas ruas, verde e amarelo, discursos sobre liberdade, independência, patriotismo. No calendário, o 7 de Setembro nos lembra que um dia o Brasil decidiu romper com Portugal. Na política, outro tipo de movimento se anuncia: a escolha de quem vai conduzir os próximos capítulos da nossa história.
E é aí que a teia começa a aparecer.
Porque eleição não se faz apenas diante das urnas. Antes do voto, existem os fios invisíveis das alianças, dos interesses, das promessas, dos grupos que se movimentam silenciosamente e das velhas estratégias que reaparecem a cada ciclo eleitoral.
O eleitor, muitas vezes, vê apenas a ponta do fio. Por trás dela existe uma teia.
E talvez a verdadeira independência de um cidadão esteja justamente na capacidade de não se deixar conduzir por ela.
Setembro nos convida a falar de liberdade. Mas que liberdade é essa quando alguém escolhe por nós? Quando o discurso pronto substitui o pensamento? Quando a paixão por um nome é maior que a responsabilidade de analisar suas escolhas?
Não se trata de direita ou esquerda. Nem de partido A ou B. Trata-se de uma pergunta muito mais incômoda: quem está puxando os fios?
O Brasil gosta de celebrar a Independência com solenidade. Mas talvez precise também aprender a praticá-la no cotidiano.
Independência é pensar antes de repetir. É perguntar antes de acreditar. É desconfiar das certezas fabricadas. É lembrar que político não é dono de voto — é alguém que recebe, temporariamente, a confiança de quem vota.
E quando a campanha eleitoral começar a ocupar todos os espaços, talvez seja bom olhar para além dos palanques.
Porque algumas teias são tão bem construídas que a gente só percebe que está preso quando já não consegue mais sair.
No 7 de Setembro, comemoramos uma independência conquistada.
Nas urnas, talvez seja hora de conquistar outra: a independência de pensar com a própria cabeça.
*Funcionária pública e jornalista





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