domingo, 13 setembro 2026
Nuvens dispersas
Maceió
22°C
Nuvens dispersas
Nuvens dispersas
Maceió
22°C
Nuvens dispersas

Devastação da Amazônia ameaça ciclo de chuvas e pode agravar secas, alertam cientistas

por | 13 set, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

A destruição da Amazônia já interfere no ciclo de chuvas e pode comprometer um dos principais sistemas naturais de abastecimento de água da América do Sul. O alerta foi feito por cientistas durante a edição mais recente do TEDxAmazônia, realizada no fim de agosto, no Equador. As informações são da Agência Brasil.

A floresta funciona como uma gigantesca reguladora de umidade. A água absorvida pelas árvores retorna à atmosfera em forma de vapor e é transportada pelos ventos para diferentes regiões do continente.

Segundo a pesquisadora Julia Valentim Tavares, uma árvore adulta da Amazônia pode liberar entre 200 e 300 litros de água por dia na atmosfera.

Durante o TEDXAmazônia, Julia Valentim explica o chamado arco do desmatamento. Rodrigo Duarte/Divulgação

A umidade transportada pelo ar forma os chamados “rios voadores”, fundamentais para a ocorrência de chuvas em áreas distantes da floresta.

Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, que reúne mais de 350 pesquisadores, afirma que o bioma é essencial para os ciclos de água, nutrientes e carbono.

As cientistas alertam que o desmatamento, as queimadas, a mineração e outras atividades estão reduzindo a conectividade entre os ecossistemas amazônicos.

Marielos Peñaclaros destaca a importância do bioma durante TEDXAmazônia. Diego Aguilar/Divulgação

Os efeitos já podem ser observados. De acordo com as pesquisadoras, áreas desmatadas apresentam redução das chuvas, aumento das temperaturas e períodos de estiagem mais intensos e prolongados.

Julia Tavares pesquisa os impactos da seca no interior das árvores do chamado arco do desmatamento, na porção sul da Amazônia.

A falta de água no solo aumenta a tensão no sistema responsável pelo transporte de água dentro das árvores. Quando esse mecanismo é danificado repetidamente, a planta pode morrer.

A situação é agravada pelo aquecimento global. Em 2024, a Amazônia enfrentou uma das secas mais severas já registradas, associada à atuação do El Niño.

Segundo Marielos, cerca de 88% da bacia amazônica foi afetada naquele período. Os impactos ultrapassaram os limites da floresta e atingiram cidades andinas, como Bogotá e Quito.

Seca na Amazônia deixa barcos encalhados e paralisa transporte – REUTERS/Bruno Kelly/Proibida reprodução

A seca também favoreceu o aumento das queimadas. A fumaça dos incêndios chegou a outras regiões do Brasil, evidenciando a dimensão continental dos efeitos provocados pelas alterações no bioma.

As pesquisadoras demonstram preocupação com a possibilidade de um novo El Niño de forte intensidade neste ano.

Julia alerta que períodos prolongados de seca, associados ao fogo, podem reduzir a capacidade da floresta de absorver carbono e fazer com que determinadas áreas passem a liberar mais gases de efeito estufa.

Para Marielos, uma nova seca extrema poderia produzir efeitos ainda mais graves sobre rios, abastecimento e atividades econômicas.

As cientistas defendem que a redução das emissões de gases de efeito estufa é fundamental para conter o avanço do aquecimento global.

Também apontam a necessidade de restaurar áreas degradadas e recuperar regiões desmatadas para reconstruir a conectividade dos ecossistemas.

A preocupação central é evitar que a Amazônia ultrapasse um possível ponto de não retorno, cenário em que a perda da floresta e de sua capacidade de regular o clima poderia provocar impactos em escala global.

O alerta reforça que a preservação da Amazônia não está ligada apenas à proteção da biodiversidade, mas também à segurança hídrica e climática de milhões de pessoas em diferentes países da América do Sul.

Com Agência Brasil

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *