O jornal O Estado de S. Paulo publicou neste sábado (12) um editorial com um título contundente: “Flávio é um candidato sob suspeita”. O texto afirma ser “gravíssimo” que um candidato apontado como favorito nas pesquisas de intenção de voto concorra à Presidência da República enquanto é investigado pela Polícia Federal (PF) sob sérias suspeitas.
O editorial aborda a investigação envolvendo o deputado Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o jornal, a investigação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, apura se Flávio Bolsonaro cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O Estadão levanta ainda a hipótese de que o financiamento do filme possa ter sido utilizado como mecanismo para movimentar recursos provenientes das operações de Vorcaro e bancar despesas de integrantes do bolsonarismo. Entre as suspeitas mencionadas pelo editorial está a possibilidade de parte dos recursos recebidos por Flávio ter sido destinada ao financiamento de sua própria campanha eleitoral, o que caracterizaria “caixa dois”.
O jornal cita também um fundo de investimentos no Texas, cujo titular seria um advogado amigo de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Segundo o editorial, o fundo teria recebido dinheiro de sócios de Vorcaro para, supostamente, cobrir despesas da produção de Dark Horse. A operação é classificada pelo jornal como incomum no setor audiovisual.
“Caráter ainda importa”
Em um dos trechos mais duros do editorial, o Estado de S. Paulo afirma que “caráter ainda importa” e relaciona essa avaliação às escolhas feitas por quem pretende ocupar a Presidência da República.
O jornal destaca o episódio em que Flávio Bolsonaro chamou Vorcaro de “irmão” em um áudio no qual pediu R$ 134 milhões ao banqueiro. Para o editorial, Flávio não teria demonstrado preocupação com a origem do dinheiro.
“Que os eleitores se perguntem que espécie de irmandade é essa – e o que ela diz sobre quem aspira à Presidência da República”, afirma o texto.
Ao final, o editorial é ainda mais categórico: “Alguém que se perde entre essas noções elementares, evidentemente, não está qualificado para governar o Brasil.”
A crítica da direita tradicional
A posição ganha peso político pelo perfil do próprio veículo. O Estado de S. Paulo é um dos jornais mais tradicionais do país e representa historicamente posições conservadoras da elite paulista.
Por isso, a publicação de um editorial tão crítico a um candidato identificado com o bolsonarismo chama atenção. A crítica não parte de um veículo de esquerda ou progressista, mas de um dos mais tradicionais jornais conservadores do país.
Ao colocar no título a expressão “candidato sob suspeita”, o Estadão leva para o centro do debate eleitoral a situação de Flávio Bolsonaro e as suspeitas que cercam sua relação com Daniel Vorcaro.





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