Os países do Brics aprovaram uma declaração conjunta com críticas ao unilateralismo, às sanções e às medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. O documento, divulgado após a cúpula realizada na Índia, reúne propostas para fortalecer o multilateralismo e ampliar a participação dos países emergentes nas instituições internacionais. As informações são do ICL Notícias.
Em 45 páginas, os 11 integrantes do bloco defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), do direito internacional e de uma ordem mundial considerada mais representativa e multipolar.
Embora Trump não seja citado nominalmente, a declaração rejeita medidas que, segundo o Brics, enfraquecem organismos multilaterais e prejudicam sua capacidade de atuação.
O grupo criticou também a retenção de contribuições obrigatórias destinadas a instituições internacionais e defendeu maior participação de países em desenvolvimento nos cargos de liderança da ONU.
O Brics pediu ainda uma reforma do Conselho de Segurança para ampliar a representação da África, Ásia e América Latina. China e Rússia, integrantes permanentes do órgão, reafirmaram apoio às pretensões de Brasil e Índia por maior participação no Conselho.
A diplomacia brasileira também conseguiu incluir no documento uma manifestação em defesa de Cuba. O bloco demonstrou preocupação com o endurecimento das medidas econômicas, comerciais e financeiras contra o país e defendeu o fim das sanções.
Na área econômica, os países reafirmaram o interesse em ampliar o uso de moedas locais nas transações entre integrantes do bloco. As negociações deverão buscar sistemas de pagamentos internacionais mais rápidos, baratos, acessíveis e seguros.
A chamada desdolarização, porém, não avançou de forma ampla na declaração. O texto prevê a continuidade dos estudos sobre a integração dos sistemas de pagamentos e a utilização das moedas nacionais, respeitando as prioridades de cada país.
O Brics também cobrou mudanças no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial. A proposta é atualizar a estrutura de governança dessas instituições para refletir o peso atual das economias emergentes.
Outro alvo foi a Organização Mundial do Comércio (OMC). O bloco defendeu a retomada de um mecanismo de solução de controvérsias considerado plenamente funcional e vinculante.
As medidas tarifárias unilaterais também foram criticadas. O Brics afirmou que o aumento indiscriminado de tarifas e outras barreiras pode reduzir o comércio internacional, afetar cadeias de produção e aumentar as desigualdades econômicas.
O documento ainda condenou sanções econômicas unilaterais que não tenham autorização do Conselho de Segurança da ONU. Segundo o bloco, essas medidas podem gerar impactos sobre direitos humanos, saúde, segurança alimentar e desenvolvimento.
Na área de segurança internacional, os países defenderam soluções diplomáticas para conflitos e destacaram a necessidade de prevenir novas crises.
O grupo também manifestou preocupação com os riscos relacionados a conflitos nucleares e defendeu o fortalecimento dos mecanismos de desarmamento, controle de armas e não proliferação.
A guerra no Oriente Médio, porém, foi um dos temas em que o Brics apresentou maior dificuldade para construir uma posição comum. A presença de Irã e Emirados Árabes Unidos no bloco contribuiu para uma declaração mais genérica sobre a escalada das tensões.
O texto aprovado pede contenção, proteção de civis e de estruturas civis e rejeita ações capazes de ampliar o conflito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cúpula, realizada durante o período eleitoral no Brasil. O país foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A declaração final reforça a tentativa do Brics de ampliar a influência do chamado Sul Global e defender mudanças na governança internacional diante das disputas geopolíticas e econômicas atuais.





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