O presidente do PSDB de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), candidato ao governo do Estado, tem recorrido à Justiça contra jornalistas e veículos de imprensa alagoanos que publicam informações e críticas sobre o caso IPREV–Banco Master.
Processos judiciais não substituem explicações. O caso envolve a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (IPREV) em letras financeiras do Banco Master, operação que passou a ser alvo da Polícia Federal durante a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió.
É nesse contexto que surge o que, politicamente, pode ser chamado de “esqueleto no armário de JHC”: João Felipe Alves Borges, secretário da Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do IPREV quando ocorreram as operações sob apuração.
A Polícia Federal pediu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Borges. A apuração também alcança a Crédito & Mercado, empresa que intermediou operações com o Banco Master e que, segundo relatório policial, já havia sido investigada em Campos dos Goytacazes, onde Borges foi subsecretário da Fazenda.
A Polícia Federal apura possíveis crimes de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As responsabilidades ainda estão sendo apuradas.
Mas há uma questão política incontornável: Borges continua secretário da Fazenda de Maceió, agora na gestão do prefeito Rodrigo Cunha. Mesmo alcançado pela apuração, permanece no cargo. Sua permanência levanta uma pergunta: que grau de confiança política Rodrigo Cunha deposita em seu secretário?
Desde que o caso veio a público, JHC é cobrado a explicar os investimentos realizados durante sua administração. O fato de ter deixado a Prefeitura em 4 de abril não elimina a responsabilidade política sobre decisões tomadas durante sua gestão.
Quem decidiu pela aplicação dos recursos? Quem recomendou o Banco Master? Qual foi o papel da Crédito & Mercado? Quais análises técnicas fundamentaram a operação? E quem tinha responsabilidade pelas decisões?
JHC precisa responder.
Recorrer à Justiça é um direito. Mas a judicialização não pode substituir a transparência. Quem pretende governar Alagoas precisa estar disposto a prestar contas, sobretudo quando estão em jogo recursos públicos e decisões tomadas durante sua administração.
O “esqueleto no armário” não é uma sentença, mas uma questão política que continua sem respostas.





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