Quase metade dos jornalistas brasileiros entrevistados em uma pesquisa da Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), relata sofrer com sintomas de insônia. O levantamento aponta ainda índices elevados de ansiedade, depressão, assédio moral e violência digital entre profissionais da imprensa.
Dos 257 jornalistas que participaram do estudo, 48% afirmaram enfrentar problemas relacionados ao sono. O índice supera a média nacional registrada pelo Ministério da Saúde, que varia de 28,7% a 38% entre as capitais brasileiras.
A pesquisa também identificou sintomas de ansiedade em 36% dos participantes. Já metade dos entrevistados relatou quadro de depressão, sendo que 9% apresentaram sintomas classificados como severos e 16% como extremamente severos.
Outro ponto de preocupação é o consumo de álcool. Segundo o levantamento, 21,5% dos jornalistas apresentaram padrões de consumo considerados de risco ou nocivos, enquanto 1,2% demonstraram sinais compatíveis com provável dependência.
O ambiente profissional também aparece como fator de pressão. Entre os entrevistados, pelo menos 26% disseram já ter sofrido assédio moral no trabalho. Dependendo dos critérios utilizados na análise, o percentual chega a 37%. Além disso, 30% relataram exposição a cyberbullying.
O estudo aponta ainda que 61% dos jornalistas percebem baixo apoio social no ambiente de trabalho, considerando a relação com colegas e superiores. Para as pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, a combinação entre pressão, baixo controle sobre as atividades e pouco suporte pode ampliar os riscos à saúde mental.
As autoras destacam que o ritmo acelerado e o estresse fazem parte das características do jornalismo, mas podem se transformar em fatores de risco quando associados a condições inadequadas de trabalho e situações de violência.
Para a presidenta da Fenaj, Samira de Castro Cunha, os problemas identificados não afetam apenas os profissionais, mas também podem comprometer a qualidade da informação produzida e, consequentemente, o direito da sociedade de ser informada.
O levantamento reforça a necessidade de empresas, entidades representativas e poder público adotarem medidas para melhorar as condições de trabalho e reduzir situações de assédio, sobrecarga e violência contra jornalistas.





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