A ampliação da rodovia no trecho entre Maceió e o Litoral Sul de Alagoas pode provocar mudanças na ocupação urbana e no mercado imobiliário da região. A obra prevê uma faixa adicional em cada sentido e tem como objetivo ampliar a capacidade de tráfego no corredor que liga a capital a destinos como a Praia do Francês e a Barra de São Miguel.
A primeira etapa contempla 2,8 quilômetros, entre a Ponte Divaldo Suruagy e o entroncamento com a BR-424. O projeto prevê intervenções ao longo do corredor até a Barra de São Miguel.
Para o consultor em investimentos imobiliários Lauro Braga, fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, melhorias na mobilidade podem alterar a percepção sobre regiões tradicionalmente associadas ao turismo e à segunda residência.
“Quando uma intervenção melhora a mobilidade, lugares que antes eram vistos principalmente como destinos de fim de semana ou segunda residência podem começar a ser considerados também para moradia”, afirma.
Marechal Deodoro, que abriga a Praia do Francês, tinha 60.370 habitantes no Censo de 2022. O município também registrou crescimento no Valor Adicionado Bruto relacionado ao turismo, que passou de R$ 56,4 milhões em 2021 para R$ 111,1 milhões em 2023.
Segundo Braga, a valorização imobiliária não depende apenas da construção ou ampliação de uma rodovia. Crescimento populacional, oferta de serviços, novos empreendimentos, infraestrutura e demanda por imóveis também precisam ser considerados.
“Uma estrada melhor pode funcionar como indutora de desenvolvimento, mas não valoriza todos os imóveis da mesma maneira. Existem áreas diretamente beneficiadas pelo acesso e outras que podem receber impactos diferentes”, explica.
O avanço imobiliário na região também está condicionado a questões ambientais e legais. Em setembro, a Justiça Federal determinou que novos licenciamentos e empreendimentos entre a Praia do Francês e a Barra de São Miguel observem regras específicas para proteção de restingas e Áreas de Preservação Permanente.
Para o especialista, o cenário pode favorecer uma mudança gradual no perfil da região, caso mobilidade, infraestrutura e oferta de serviços avancem de forma conjunta.
“O sinal mais interessante não é simplesmente descobrir se o metro quadrado subiu. É perceber quando uma região começa a ganhar vida durante todo o ano, recebe moradores permanentes, amplia serviços e passa a atender necessidades que antes dependiam da capital”, conclui.








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