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Violência laboral na Enfermagem: agressões, ameaças e assédio ainda fazem parte da rotina de quem cuida

por | 11 out, 2026

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A violência contra profissionais de Enfermagem voltou a ganhar destaque em 2026 diante de novos casos de agressões registrados no ambiente de trabalho e de levantamentos que dimensionam o problema entre enfermeiros, técnicos e auxiliares.

Em Alagoas, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-AL) realizou, em julho deste ano, um Desagravo Público em defesa de uma técnica de enfermagem vítima de agressão enquanto exercia suas atividades em um hospital. Segundo o Conselho, o caso envolveu uma profissional, que foi vítima de agressão durante o plantão. O episódio foi registrado pelo Coren-AL em 20 de julho de 2026.

O problema, porém, não se restringe aos episódios de agressão física. Uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC), entre os dias 3 e 12 de agosto de 2026, ouviu mais de 2,2 mil profissionais de Enfermagem do estado. Entre os participantes, 74,8% afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência durante o exercício profissional, enquanto 57,8% disseram não se sentir seguros no ambiente de trabalho.

Outro levantamento recente, realizado pelo Coren-SP com 4.402 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, apontou que 72,6% dos participantes relataram ter sofrido algum tipo de violência no trabalho nos 12 meses anteriores à pesquisa. Entre as vítimas, a violência verbal foi a forma mais relatada, mencionada por 89,2%, seguida pela violência psicológica, com 73,8%, e pela violência física, com 19,2%. Os números de Santa Catarina e São Paulo não representam automaticamente a realidade de Alagoas, mas ajudam a demonstrar que a violência laboral é um problema identificado em diferentes regiões do país.

Para o Prof. Dr. Wbiratan de Lima Souza, enfermeiro, mestre em Enfermagem pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas pela UNIMA/AFYA, a discussão precisa ultrapassar a ideia de que violência no ambiente da saúde se resume à agressão física.

“Quando falamos em violência contra profissionais de Enfermagem, precisamos ampliar o olhar. A agressão física é uma das manifestações mais evidentes, mas ameaças, humilhações, constrangimentos, agressões verbais e situações de assédio também podem comprometer a dignidade e a segurança do trabalhador. É necessário reconhecer essas situações e criar mecanismos efetivos de prevenção e enfrentamento.”

Segundo o professor, outro aspecto importante é a naturalização de determinados comportamentos dentro dos ambientes de saúde.

“Um dos grandes desafios é não permitir que a violência seja naturalizada como parte da rotina profissional. O trabalhador precisa saber identificar quando está diante de uma situação de violência, conhecer os canais disponíveis para buscar ajuda e ter segurança para comunicar o ocorrido. Da mesma forma, as instituições precisam estabelecer protocolos claros de prevenção, acolhimento e encaminhamento dessas situações.”

A violência laboral pode aparecer de diferentes maneiras. Além das agressões físicas, profissionais podem ser submetidos a ameaças, ofensas, humilhações, constrangimentos, assédio moral, assédio sexual e discriminação.

O próprio Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) possui uma política específica para prevenção e enfrentamento dessas situações. A Resolução Cofen nº 768, de 12 de novembro de 2024, instituiu, no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, uma política de prevenção e enfrentamento ao assédio moral, ao assédio sexual e à discriminação.

Para Wbiratan, a prevenção precisa envolver trabalhadores, gestores e instituições.

“Não podemos tratar a violência como um problema exclusivamente individual. É necessário que as instituições tenham políticas de prevenção, canais seguros de denúncia e mecanismos de acolhimento para quem sofre uma situação de violência. Proteger o profissional também significa contribuir para um ambiente de trabalho mais saudável e para uma assistência mais segura ao paciente.”

Por Assessoria

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