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Antifeminismo vira estratégia eleitoral da extrema direita e impulsiona candidatas do PL

por | 15 out, 2026

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A ascensão de mulheres que se apresentam como antifeministas e criticam políticas de proteção aos direitos femininos revela uma estratégia política que conecta influência nas redes sociais, discursos conservadores e votação expressiva nas urnas. O fenômeno é analisado pela jornalista Camila Galetti em reportagem publicada pelo Intercept Brasil.

Um dos principais exemplos citados é Eduarda Campopiano (PL), eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com 1.956.238 votos. Aos 23 anos, ela alcançou a maior votação para o Legislativo paulista nesta eleição, segundo a reportagem, após construir sua imagem pública nas redes sociais e atuar como comentarista da Jovem Pan.

A trajetória de Campopiano ilustra como a produção de conteúdo político na internet pode se transformar em capital eleitoral. Eleita vereadora de Praia Grande em 2024, ela chegou à disputa estadual dois anos depois com uma votação que a colocou entre os nomes de maior destaque da política paulista.

Redes sociais e discurso conservador

Na avaliação de Camila Galetti, o crescimento dessas lideranças não representa necessariamente um afastamento das mulheres da política. O que ocorre, segundo a análise publicada pelo Intercept, é a consolidação de uma forma de participação feminina alinhada a pautas conservadoras e contrárias ao feminismo.

A reportagem argumenta que candidatas desse campo político utilizam a própria presença em espaços de poder para questionar a ideia de que o feminismo é necessário à conquista de direitos. Dessa forma, a identidade antifeminista deixa de ser apenas uma posição ideológica e passa a funcionar como elemento central da comunicação eleitoral.

O texto também destaca o papel das redes sociais na formação dessas lideranças, que podem conquistar audiência, estabelecer uma identidade política e mobilizar eleitores antes mesmo de ingressar em cargos públicos.

Candidatas do PL concentram votações expressivas

O desempenho de outras representantes do Partido Liberal reforça, segundo a reportagem, a dimensão eleitoral desse movimento.

Em Santa Catarina, Julia Zanatta foi reeleita deputada federal com 560.223 votos, resultado cerca de cinco vezes superior ao obtido por ela em 2022. Ana Campagnolo também se destacou na disputa estadual, com 387.523 votos.

No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis conquistaram as duas vagas em disputa para o Senado, com 938.496 e 886.616 votos, respectivamente, conforme os números apresentados pelo Intercept.

A publicação também cita Caroline de Toni e Chris Tonietto entre as parlamentares associadas a pautas conservadoras e à oposição a medidas defendidas por movimentos feministas.

De acordo com o levantamento apresentado na reportagem, seis candidatas eleitas pelo PL — Caroline de Toni, Bia Kicis, Eduarda Campopiano, Julia Zanatta, Ana Campagnolo e Chris Tonietto — somaram mais de 6,5 milhões de votos.

Disputa sobre leis de proteção às mulheres

Outro ponto central da análise é a atuação dessas parlamentares em debates sobre feminicídio, misoginia, aborto e políticas de igualdade.

Galetti sustenta que a contestação de conceitos e mecanismos de proteção pode enfraquecer essas políticas de maneira gradual. A estratégia, segundo a interpretação da jornalista, consiste em apresentar determinadas leis como exageradas ou privilégios concedidos a grupos específicos.

A reportagem menciona Campopiano em discussões sobre a criminalização da misoginia e a tipificação do feminicídio. Também aponta a oposição de outras representantes do grupo a medidas relacionadas ao aborto e à chamada pauta de gênero.

Essas posições fazem parte de uma disputa mais ampla sobre o papel do Estado, da família e dos direitos individuais das mulheres. Enquanto as lideranças citadas defendem pautas conservadoras, movimentos feministas sustentam que políticas específicas são necessárias para enfrentar desigualdades históricas e a violência de gênero.

Recorde de mulheres eleitas não pertence ao PL

Apesar da visibilidade das candidatas conservadoras, o Intercept ressalta que o aumento da representação feminina no Congresso não foi liderado pelo PL.

Segundo os dados apresentados por Camila Galetti, a federação liderada pelo PT elegeu 34 deputadas federais, enquanto o PL conquistou 23 cadeiras ocupadas por mulheres. A publicação também informa que, das 12 mulheres eleitas para o Senado, três pertencem ao PL.

Os números evidenciam que o crescimento da presença feminina no Legislativo reúne trajetórias e projetos políticos distintos. A eleição de mais mulheres, por si só, não significa que elas defendam as mesmas políticas ou tenham compromissos semelhantes com a ampliação de direitos.

A análise aponta justamente essa diferença entre representatividade numérica e orientação política: candidatas de diferentes campos ideológicos ampliaram o espaço feminino nas instituições, mas disputam de maneira divergente o significado dessa conquista.

O desafio para o próximo Congresso

Para a autora, existe uma contradição no avanço de lideranças que rejeitam o feminismo, movimento historicamente associado à luta pela ampliação dos direitos políticos e sociais das mulheres.

A reportagem observa que essas candidaturas se beneficiam de estruturas partidárias, campanhas eleitorais e espaços de visibilidade que foram ampliados ao longo de décadas de reivindicações por participação feminina na política.

O desafio, portanto, não se resume a medir quantas mulheres chegaram ao poder, mas a compreender quais projetos elas pretendem implementar e como suas decisões poderão afetar as políticas públicas.

A conclusão apresentada pelo Intercept é que o aumento da presença feminina no Congresso deve ser analisado em conjunto com as pautas defendidas pelas eleitas. Com mais mulheres ocupando cargos políticos, a disputa sobre direitos, representação e igualdade continuará no centro do debate nacional.

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