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Pesquisa revela que 87,3% das alegações analisadas sobre saúde eram falsas

por | 20 out, 2026

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A desinformação sobre saúde continua circulando no Brasil mesmo após o fim da pandemia de Covid-19. Um levantamento do Observatório Lupa identificou que 87,3% das 764 alegações analisadas entre 2017 e junho de 2026 eram falsas.

O estudo, intitulado Raio-X da Desinformação em Saúde, analisou 498 verificações publicadas pela Agência Lupa. Durante a pandemia, em 2020 e 2021, foram checados 452 conteúdos virais sobre saúde, cerca de dez vezes mais que nos três anos anteriores.

Segundo o pesquisador Maiquel Rosauro, responsável pelo levantamento, muitas estratégias de desinformação já existiam antes da crise sanitária e continuam sendo utilizadas, embora os temas e tenham mudado.

Vacinas concentram alegações falsas

Das 244 alegações sobre vacinas analisadas, 86,9% foram classificadas como falsas. O tema ganhou força durante a pandemia e continuou relevante nos anos seguintes, com conteúdos que atribuíam doenças aos imunizantes ou prometiam eliminar seus efeitos no organismo.

Entre as estratégias identificadas estão o uso de falsas autoridades médicas, presente em 21,59% dos casos, a linguagem alarmista (17,09%) e a distorção de estudos e dados científicos (15,74%).

O relatório também aponta o crescimento de vídeos manipulados por inteligência artificial, falsas declarações atribuídas a médicos e anúncios que promovem produtos com promessas de cura.

WhatsApp lidera entre as plataformas

O WhatsApp apareceu em 70,5% das 498 checagens analisadas, seguido pelo Facebook, com 25,3%, e pelo Instagram, com 7%.

O texto esteve presente em 99,4% das verificações, muitas vezes combinado com vídeos e imagens. Segundo o estudo, materiais verdadeiros também podem ser usados de forma enganosa por meio de legendas falsas, informações fora de contexto e atribuições incorretas.

A pesquisa identificou ainda a exploração comercial da desinformação. Das 18 verificações relacionadas à venda de produtos ou serviços, 14 ocorreram depois de 2021. O diabetes foi a doença mais explorada nesse recorte, com ofertas que prometiam controlar ou reverter a condição.

Para Gustavo Meirelles, vice-presidente médico da Afya, o cenário reforça a importância de preparar profissionais de saúde para ajudar pacientes a avaliar informações e reconhecer conteúdos sem respaldo científico.

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