A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e os sindicatos filiados criticaram o formato do debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes no domingo (18), durante o segundo turno das eleições de 2026.
Em nota divulgada nessa segunda-feira (19), a entidade afirmou que o encontro privilegiou provocações, bordões e ataques pessoais, em vez de contribuir para o esclarecimento dos eleitores.
Para a Federação, o debate deveria funcionar como um espaço de confronto de ideias e apresentação de propostas, mas acabou prejudicando o interesse público. A organização também questionou a responsabilidade editorial da emissora e a falta de mecanismos para garantir o cumprimento da finalidade jornalística do evento.
A FENAJ reconheceu a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas defendeu que a igualdade no tempo de fala não é suficiente para assegurar a qualidade do debate. Segundo a entidade, é necessário garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação.
Na manifestação, a Federação ressaltou que o jornalismo deve questionar candidatos, confrontar versões e exigir respostas. A nota também destaca que a ausência de reação diante de informações falsas não representa imparcialidade e pode contribuir para legitimar a desinformação.
A entidade defendeu que as emissoras revisem seus modelos de debates eleitorais, adotando regras que estimulem respostas objetivas, permitam intervenções editoriais diante de informações comprovadamente falsas e prevejam responsabilização pelo descumprimento das normas.
O documento também critica a perda de espaço de temas considerados essenciais para o país, como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, meio ambiente, soberania nacional e direitos sociais.
A FENAJ afirmou que as mudanças propostas não têm o objetivo de restringir o contraditório ou limitar o pensamento dos eleitores, mas de garantir o direito constitucional à informação de qualidade e preservar a liberdade de escolha.
A organização ainda alertou para os riscos da normalização da mentira, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas. Segundo a entidade, empresas de comunicação, profissionais e organizações representativas precisam reafirmar os princípios éticos do jornalismo.
Ao final da nota, divulgada em Brasília, a Federação reafirmou seu compromisso com a liberdade de imprensa, a ética profissional, o direito à informação e a defesa da democracia. A entidade resumiu sua posição com a afirmação de que “debate eleitoral não é entretenimento” e que a sociedade precisa de discussões compatíveis com os desafios do país.







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