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Quando o Zeppelin passou em Maceió.

por | 2 nov, 2021

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D-LZ 129 Hindenburg sobrevoando a Praça do Centenário em 1936. Fonte: www.historiadealagoas.com.br

Desde o princípio do século, cientistas alemães conseguiram fazer uma experiência usando como base a aerostação, que é o “estudo, construção e manobra dos aparelhos cuja sustentação é devida ao emprego de um gás mais leve que o ar”. Esta primeira experiência se deu sobre o lago de Constança, na Alemanha, surgindo daí a série de “ zeppelins “que encantaram e surpreenderam o mundo até a grande catástrofe de 1936, onde pereceram carbonizadas dezenas de pessoas.

Seu nome advém de seu inventor, Conde Von Ferdinand Zeppelin, militar que, depois de aposentado, dedicou-se à construção desses aparelhos de grandes dimensões. Transporte aéreo a grandes distâncias, até então inacessíveis ao avião, o Hindenburg e o Graf Zeppelin, dois dos mais famosos dirigíveis rígidos, abriram linhas regulares sobre o Atlântico Norte e Sul, chegando a transportar 52.000 passageiros entre pontos distantes de sua rota.

Em Recife havia um campo de pouso para esses enormes “charutos voadores”, como eram chamados pelo povo, cujas bases e torre de sustentação ainda existem e que agora, 51 anos depois do primeiro pouso, voltam a ser visitados pelos sete sobreviventes da antiga tripulação do Graf Zeppelin, merecendo da imprensa pernambucana grandes destaques.

Maceió não tinha campo adequado para nenhum desses maravilhosos engenhos voadores – embora durante a 2ª guerra mundial houvesse uma área destinada aos dirigíveis da marinha americana, no Tabuleiro do Pinto, em terreno vizinho ao aeroporto dos Palmares, local hoje transformado em zona residencial para destacamento da FAB-mas os via passar pelos céus, em várias oportunidades, pelas madrugadas e outras vezes dia claro, entre os idos de 1931 a 1935. Toda a cidade parava apontando para cima, mãos protegendo os olhos da claridade solar, ou aconteciam com as extravagantes, como o caso de certa pessoa que tinha o habito de dormir despido, acordar durante a noite ouvindo o ronco do Zeppelin e correr, sem se dar conta de como estava, para a rua. O jornalista Floriano Ivo Jr. também nos afirma que, em 1935, por ocasião da Intentona Comunista, o Zeppelin não conseguiu descer no Recife, voando até Maceió, onde, em um improvisado campo de pouso no Tabuleiro, baixou até uma certa altura, jogando os cabos para que os soldados do 20° BC segurassem e puxassem o enorme dirigível, ao ponto de dar condições aos passageiros desembarcarem.

Graf Zeppelin sobrevoando Maceió em 1934. Fonte: www.historiadealagoas.com.br

De uma de suas de suas passagens por Maceió é a foto mostrada, tirada pelo cônsul suíço daquela época, Monsieur Marcel Girard, residente na Praça São Gonçalo, hoje Rosalvo Ribeiro, justamente quando o belo Zeppelin passava pelo antigo farol de Maceió, numa de suas últimas viagens ao nosso continente.

Maceió ainda não possuía cais do porto, tínhamos os bondes da CFLNB, o país vivia o início da era getulista e nem sequer se pensava na Segunda Grande Guerra Mundial, só deflagrada em 1939. A cidade e os seus moradores poderiam amanhecer com a oportunidade da rara visão de uma enorme cruz, formada pelo excelente flagrante da fotografia.

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