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Testados positivos para Covid-19, funcionários do HGE são obrigados a voltar ao trabalho

por | 3 jun, 2020

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Recepção do Hospital Geral do Estado (HGE) | Cortesia

O Hospital Geral do Estado (HGE), que atende a casos clínicos e traumas, não é referência para o atendimento da Covid-19. Entretanto, é um dos mais procurados por pacientes oriundos do interior e da capital com sintomas de coronavírus.

É recorrente o fluxo de pacientes infectados pela doença que chegam ao hospital, muitas vezes assintomáticos. Essa é uma das causas do número crescente de servidores daquela unidade afastados por suspeita e outros positivados para Covid-19.

Dados obtidos pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Previdência, Seguro Social e Assistência Social (Sindprev/AL) mostram que cerca de 300 servidores de todas as áreas do HGE ficaram em isolamento social até se constatar se estavam ou não com o vírus.
Foram atingidos funcionários dos setores administrativo, serviços gerais, nutrição, serviço social, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, técnicos de laboratório, padioleiros, motoristas, médicos, psicólogos e outros.

O problema é que, sem garantias de que estão curados, após 15 dias de afastamento os funcionários são obrigados a voltar ao trabalho, mesmo se sentindo debilitados. A pressão para o retorno ignora estudos científicos que atestam que, após 30 dias da ocorrência da infecção, as pessoas podem ainda estar com potencial de contaminação e apresentar complicações.

Os servidores são submetidos, repetidamente, a nova exposição, o que representa um sério risco para os colegas, pacientes, familiares e outros.

O Sindprev cobra responsabilidade do governo do Estado, já que os trabalhadores estão sendo contaminados, geralmente, no serviço. Além das péssimas condições de trabalho, a falta de treinamento das equipes para lidar com a Covid-19, a operacionalização inadequada do Plano de Contingência para enfrentamento da doença, o não fornecimento de EPI’s adequados e necessários, a falta de testagem para os trabalhadores está entre as principais causas do adoecimento dos profissionais de saúde na rede de saúde pública.

Esses profissionais foram afastados sem fazer a testagem em tempo célere, tendo que esperar 15 dias para obter um resultado mais seguro, visto que o teste rápido, por vezes, dá “falso negativo”.

“O retardamento para se ‘fechar’ um diagnóstico com maior segurança é inviabilizado pelo critério adotado para a realização do SWAB (exame para Covid-19), pois é exigido que o servidor apresente sintomas gripais, tosse, febre, perda de paladar etc., desconsiderando-se que muitos casos são assintomáticos nas primeiras semanas do contágio, apesar de se estar positivado para coronavírus”, revela o sindicato.

Sindprev e MPT fazem vistoria no HGE | Assessoria Sindprev

No relatório que encaminhou ao Ministério Público do Trabalho (MPT), o Sindprev apontou como outro agravante a permanência em serviço de trabalhadores com idade acima de 60 anos.

“Estes compõem grupo de risco, muitas vezes portadores de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, asma, cardiopatia e outras patologias, sendo, portanto, mais propensos a terem complicações e morrerem de Covid-19. Esta situação beira a crueldade e até mesmo pode ser considerada ato de eugenia, uma vez que os riscos para esses trabalhadores são maiores pelas comorbidades que podem apresentar”, diz o documento.

Pedido de socorro

Profissionais cobram testagem eficiente para Covid-19 | Divulgação

“Estou trabalhando no Laboratório do HGE e a situação lá não está das melhores com relação à estrutura e local de repouso. São, em média, 12 plantonistas à noite e, para o repouso, só há dois beliches e dois colchões no chão do quarto. Não temos um lugar adequado para a alimentação, visto que o refeitório do Hospital só faz a distribuição de quentinhas (muito ruim por sinal). Os demais trabalhadores descansam no chão do próprio Laboratório, um lugar totalmente insalubre. Toda semana tem servidor afastado por causa de sintomas gripais, um caos”, relata um servidor, em apelo encaminhado ao sindicato.

A entidade dispõe de diálogos, entre os servidores, reveladores de descaso, negligência, desrespeito e falta de humanização no trato com os trabalhadores por parte da gestão. “Isto em situações de normalidade, tomando dimensão alarmante, dada a circunstância de se estar vivenciando uma epidemia, onde os riscos são incomensuráveis e as condições emocionais, psicológicas e físicas são muito afetadas”, afirma o Sindprev.

No relatório entregue ao MPT, o sindicato denuncia que os trabalhadores, efetivos, prestadores de serviços e terceirizados são vítimas também de assédio moral praticado pelos gestores do HGE.

“O assédio se configura como ameaças de retirada dos profissionais da escala extra, descontos no salário, advertência administrativa, demissão e devolução para a Sesau (Secretaria de Estado da Saúde)”, diz o texto do documento produzido pela entidade de representação dos servidores.

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