domingo, 28 junho 2026
Nublado
Maceió
25°C
Nublado
Nublado
Maceió
25°C
Nublado

Um olhar aguçado sobre a arte popular alagoana

por | 7 jul, 2024

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Arquivo pessoal

Marta Moura é jornalista e escritora mestra em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas, especialista em Práticas Culturais pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), especialista em Museologia pela PUC-Minas.  Atualmente, cursa o doutorado em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas (Unima).

Com três livros publicados, o primeiro é de 2015, uma ‘História do Cangaço para crianças’, em 2022, lança “Da terra, o barro. Da arte, a vida”, sobre o mestre João das Alagoas. O terceiro livro, ‘Casa da Cultura: 40 anos’, foi produzido em parceria com André Vieira, atual secretário municipal de Cultura de São Miguel dos Campos (AL).

Marta Moura e membro da Academia Anadiense de Letras e Artes (AALA). A jornalista e escritora concedeu entrevista ao site 082 Noticias:

Como surgiu o seu interesse pela arte popular e, mais especificamente, pelo artista João das Alagoas?

Desde criança, eu já tinha uma curiosidade em torno do artesanato. Eu costumava comprar trabalhos de artesãos em miniatura, mas só na fase adulta esse gostar aflorou e consequentemente meu consumo também. Foi quando em 2018, a convite do filho do mestre, que também se chama João Carlos, eu pude ir ao ateliê em Capela e conhecer o renomado João das Alagoas.

Entre uma conversa e outra, eu vi a necessidade de documentar parte do trabalho e história de vida do mestre, e desenvolvi em 2019 como dissertação do meu Mestrado.

Reprodução

O que lhe chamou a atenção na arte feita por João das Alagoas?

O que me chamou atenção foi a curiosidade de saber como ele criava tantos temas magníficos para suas peças, como são suas memórias que ajudam na confecção de suas peças. Mas o que me fez admirar, foram os temas dos folguedos populares em suas cerâmicas.

João das Alagoas tem formado gerações de artistas em seu ateliê em Capela (AL). Qual a importância dele para a cena artística alagoana e nacional?

Seu João é um dos maiores Mestres da cerâmica do Brasil, formou em seu ateliê nomes como Sil da Capela, Leonilson, Cláudio, Nena, além de ter sido sempre inspiração para seus filhos que receberam a mesma habilidade do pai. Em Alagoas, o Ateliê do mestre é um portador de saberes e fazeres que gera novos artesãos e se consagra como um dos maiores polos de cerâmica do Brasil.

Marta Moura com João das Alagoas | Arquivo pessoal

Antes você pesquisou e escreveu sobre a mestra Joana Gajuru. Qual o papel desempenhado por ela na cultura popular alagoana?

A Joana entrou na minha vida por meio da minha prima Mestra Nete Gajuru, filha de criação de Joana e que recebeu os saberes do Guerreiro. Joana é identificada como a primeira mulher a ser mestra e dona de um guerreiro em Alagoas. Faleceu em 1988, mas seu legado permanece como uma mulher determinada e que foi atuante como uma figura que rompeu paradigmas na sociedade.

Novas gerações de pesquisadores em Alagoas têm interesse e um olhar aguçado para a arte popular e seus diversos artistas. Você acha que é uma descoberta ou redescoberta da arte popular alagoana?

Acredito que é um novo artesanal que está surgindo, um novo mercado e modo de consumo, e quando falo sobre consumo diz respeito a maneira de se adquirir conhecimento, de buscar esses artesãos que estão há décadas no cenário e os que estão surgindo. O simples e o feito a mão é o novo luxo, e isso contribui para que o artesanato alagoano volte para os olhares do mundo, como anda acontecendo no povoado Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar (AL).

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *