Um estudo do Instituto Natura, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indica que dias de jogos de futebol estão associados ao aumento de registros de violência contra mulheres no Brasil. A pesquisa, realizada em 2022, analisou microdados de ocorrências policiais entre 2015 e 2018 em cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.
De acordo com o levantamento, em dias de partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, os boletins de ocorrência de ameaça contra mulheres aumentam 23,7%, enquanto os registros de lesão corporal crescem 20,8%. A antropóloga Beatriz Accioly, gerente do compromisso pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, afirma que determinados contextos associados ao futebol podem intensificar situações já marcadas por desigualdades de gênero. “Os dados sugerem que determinados contextos associados ao futebol podem funcionar como catalisadores de violências que já encontram terreno fértil em relações marcadas por desigualdades de gênero”, disse. Ela destaca ainda que o problema não é o futebol em si, mas a forma como certas expressões de masculinidade ligadas à competitividade e à agressividade podem ser reforçadas nesses ambientes.
O estudo também aponta que, quando as partidas são disputadas na cidade do time, o aumento de casos de lesão corporal contra mulheres chega a 25,9%. A maioria dos agressores é formada por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Em relação ao recorte racial, mulheres negras representam a maior parte dos casos em capitais como Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, chegando a 85% das ocorrências de agressão física em Salvador. Já sobre idade, o levantamento mostra que os casos de ameaça se concentram entre mulheres de 30 a 49 anos, enquanto as agressões físicas são mais frequentes entre jovens de 18 a 29 anos.
Para o Instituto Natura e para a Avon, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas específicas e do fortalecimento de serviços de apoio em dias de jogos, além de campanhas de conscientização em estádios e transmissões esportivas. As entidades ressaltam, porém, que o futebol não é a causa da violência. “É importante destacar que o futebol não causa a violência contra as mulheres. O que os dados mostram é que determinados contextos podem aumentar a frequência ou a intensidade de agressões já sustentadas por desigualdades de gênero”, afirmou Beatriz Accioly.
Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, o Brasil registra em média quatro feminicídios por dia, com base em dados do Ministério da Justiça reunidos pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, em parceria com o Instituto Natura e a Gênero e Número.






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