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10 lugares para conhecer em Alagoas ‒ Boca da Mata (V)

por | 5 jan, 2025

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As obras de Manoel da Marinheira. Foto: Reprodução

Por Geraldo de Majella*

A cidade de Boca da Mata (AL) tem uma população de 27.356 habitantes (IBGE-2020) e está localizada a 80 km de Maceió. A economia local é predominantemente voltada para a monocultura da cana-de-açúcar, embora também haja atividades pecuárias e uma pequena área dedicada à agricultura familiar. Além disso, a cidade é rica em belezas naturais, como a Serra de Santa Rita, o balneário Águas de São Bento, a Bica do Arlindo e as bicas Baixa Grande e Quebra Carro, estas últimas situadas em uma Área de Proteção Ambiental (APA).

O empresário Jorge Tenório, entre outros méritos, é reconhecido por ter sido mecenas do escultor Manoel Cavalcanti de Almeida (1917-2012), o Manoel da Marinheira. Na década de 1960, Tenório começou a reunir um acervo de obras produzidas quase exclusivamente pelo escultor.

Hoje, a coleção conta com mais de 1.540 peças, das quais mais de 800 são de autoria do escultor Manoel da Marinheira. O restante é composto por obras de seus seguidores e discípulos, incluindo seus filhos e filhas, entre elas três filhas surdas-mudas.

O Museu Manoel da Marinheira, fundado em 2003, está localizado na Fazenda Bento Moreira, em Boca da Mata, ocupando as instalações adaptadas de um antigo grupo escolar. As obras estão distribuídas em dez salas, compondo uma coleção extraordinariamente bela e ampla.

O artista teve uma família numerosa, com vinte filhos: dez do primeiro casamento e dez do segundo. Cinco deles seguiram os passos do pai no trabalho com a madeira, revelando talento para a arte. O nome “Marinheira” foi atribuído a Manoel ao nascer. Seu pai, um marinheiro mercante, chegou a Boca da Mata vindo da Alemanha, onde se apaixonou e se casou. A esposa ficou conhecida como “Marinheira” e, quando o primogênito nasceu, ele recebeu o nome de Manoel da Marinheira em homenagem ao ofício do pai.

Tendo vivido até os 95 anos, o artista começou a trabalhar ainda na adolescência como agricultor e, como muitos que atuam na agricultura, enfrentou uma vida cheia de dificuldades. Aos 80 anos, foi diagnosticado com glaucoma, doença que o impossibilitou de continuar seu trabalho. Com o tempo, perdeu completamente a visão.

O trabalho em madeira era conhecido na cidade e na região. A divulgação em nível estadual começou na década de 1970, graças ao fotógrafo e cineasta Celso Brandão e ao artista plástico Fernando Lopes, que conheceram Manoel da Marinheira e o apresentaram a artistas e intelectuais de Maceió. O “boca a boca” e matérias publicadas em jornais contribuíram para tirar o escultor e sua obra do quase anonimato. Hoje, suas peças estão espalhadas por diversos países e continentes, com destaque para os Estados Unidos e a Europa.

A beleza do conjunto da obra é absolutamente deslumbrante, conferindo ao acervo uma singularidade ímpar no Brasil. Este é um espaço cultural que não apenas preserva, mas também celebra a memória de um grande artista, cujo trabalho, a cada dia, conquista o reconhecimento merecido.

 

André da Marinheira de camisa vermelha, Maria Geneci, mãe e Manoel da Marinheira Filho. Foto: Reproduç

Manoel da Marinheira com os filhos Severino e Antonio. Foto: Reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*É historiador e jornalista

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