O historiador Geraldo de Majella lançará no próximo dia 19, às 19 horas, na pizzaria Armazém Guimarães, em Jatiúca (Maceió-AL), seu novo livro: A Voz do Povo – A história do jornal que sobreviveu à violência de governadores, formou profissionais e provocou a fúria da elite de Alagoas. A obra inaugura as edições da Câmara de Estudos Políticos da Vice-Governadoria de Alagoas, dirigida pelo vice-governador Ronaldo Lessa.
O semanário A Voz do Povo, fundado em 1º de maio de 1946, era o órgão de imprensa do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Alagoas. Criado por um grupo de jornalistas engajados na luta política no pós-Segunda Guerra Mundial — André Papini Góes, Arnoldo Jambo, Floriano Ivo Júnior, Hélio Sá Carneiro, Murilo Leão Rego e George Cabral — o jornal teve sua sede na Rua do Comércio, nº 606, no centro de Maceió.
Naquele mesmo ano, o PCB obteve o registro legal no Tribunal Superior Eleitoral, o que permitiu ao partido atuar de forma aberta e lançar candidaturas em todo o país. A Voz do Povo nasceu nesse contexto de legalidade e entusiasmo democrático, tornando-se um instrumento fundamental de divulgação das ideias comunistas e de organização política em Alagoas.
- Reprodução
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Durante 18 anos, esse endereço foi o ponto de encontro da militância comunista e da imprensa operária alagoana. A trajetória do jornal foi marcada por alternâncias entre a legalidade e a clandestinidade, atravessando períodos de dura perseguição política sem deixar de circular. Segundo o historiador Geraldo de Majella, A Voz do Povo foi o jornal operário de maior longevidade da história de Alagoas.
O semanário teve três diretores ao longo de sua existência: André Papini, Osvaldo Nogueira e Jayme Amorim de Miranda — este último uma das principais lideranças comunistas do estado. O jornal enfrentou censura, vigilância e ameaças, mas manteve-se como voz ativa da classe trabalhadora em Alagoas até ser brutalmente silenciado.
Na manhã de 1º de abril de 1964, enquanto os golpistas iniciavam as prisões em Alagoas, a sede do jornal A Voz do Povo foi invadida e destruída pela polícia. Com isso, chegava ao fim um dos mais combativos periódicos da história política alagoana.
Serviço:
Lançamento do livro A Voz do Povo
Quando: 19 de maio
Onde: Armazém Guimarães,
Av. Dr. Antônio Gomes de Barros, 188, Jatiúca – Maceió.








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