O Comando Vermelho — segunda maior facção criminosa do Brasil — tem empregado grupos no WhatsApp para vender armas, drogas, veículos e até animais silvestres, aponta investigação da Agência Pública.
A reportagem, publicada por Leonardo Coelho e Matheus Moura, revela que a quadrilha está usando a plataforma para estimular e facilitar o comércio ilegal. Entre os produtos oferecidos estão munições, substâncias ilícitas e filhotes de macacos — expostos em anúncios com imagens e descrições detalhadas.
De acordo com o texto da Pública, os administradores dos grupos atuam como verdadeiros vendedores, negociando com compradores e intermediando trocas. O esquema mostra a profissionalização das operações, que agora combinam estratégia digital com poder logístico das facções.
Especialistas em segurança ouvidos pela reportagem alertam que o uso de redes de mensagens instantâneas para esse tipo de comércio representa uma escalada na criminalidade: o anonimato digital dificulta a identificação de criminosos e amplia o alcance dos negócios ilícitos em todo o território nacional.
O uso de aplicativos como o WhatsApp para facilitar o crime organizado já vinha sendo monitorado por autoridades. No entanto, a reportagem da Pública lança luz sobre a atuação do CV como pioneiro na estratégia, incorporando diferentes mercados ilegais em seus canais privados.
Cecília Oliveira, jornalista e diretora-executiva do Instituto Fogo Cruzado, comenta que esse tipo de grupo de WhatsApp é mais usado por membros de facções criminosas que ocupam posições menores na hierarquia. “Este é o jeito mais rápido e prático de se comunicar e mesmo havendo outras possibilidades, como o radinho, o zap tem outro alcance e possibilidade de comunicação. Porém, quanto maior a posição na hierarquia, maior o cuidado e menor o acesso, inclusive para membros do grupo.”
A investigação levanta questões urgentes sobre o papel das plataformas de mensagens na repressão ao crime. Especialistas apontam a necessidade de maior cooperação entre WhatsApp/Meta e as forças de segurança, bem como atualizações na legislação para que normais se adequem aos novos formatos de crime.
A Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, disse que o app não permite o uso do seu serviço para fins que instiguem ou encorajem condutas que sejam ilícitas ou inadequadas e, nos casos de violação dos Termos de Serviço do aplicativo, o WhatsApp toma medidas em relação às contas, como desativá-las ou suspendê-las.
“Para cooperar com investigações criminais, o aplicativo pode também fornecer dados disponíveis em resposta às solicitações de autoridades públicas e em conformidade com a legislação aplicável”, a empresa comentou em nota.
Apesar da declaração da empresa, os quatro grupos acompanhados pela reportagem seguem ativos no aplicativo.







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