A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, nesta quarta-feira (16), a Operação Hawala para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado às facções Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024, com recursos provenientes do tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados.
A operação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e no município de Foz do Iguaçu (PR). Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas pelo MPRJ, e a Justiça expediu dez mandados de prisão. Até o início da manhã, oito pessoas haviam sido presas.
As investigações começaram após a identificação de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao grupo que controla o tráfico de drogas no Complexo de São Carlos, na região central do Rio. Com o avanço da apuração, a Polícia Civil concluiu que a estrutura também atendia integrantes do Comando Vermelho e do PCC.
De acordo com os investigadores, empresas de fachada criadas em diferentes estados eram utilizadas para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos de forma ilícita. O grupo também recorria a depósitos fracionados, uso de “laranjas”, cooptação de contadores e outras estratégias para ocultar a origem do dinheiro.
A Polícia Civil analisou centenas de transações bancárias e identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda dos investigados e das empresas envolvidas.
Suspeita de ligação internacional
A investigação também apura uma possível conexão entre o esquema de lavagem de dinheiro e o financiamento de organizações classificadas como terroristas. Segundo a Polícia Civil, foi identificada uma relação comercial entre um dos investigados e um homem sancionado pelo governo dos Estados Unidos por suposta participação na estrutura de financiamento da Al-Qaeda.
Os investigadores afirmam que as apurações prosseguem para verificar a existência de eventual vínculo entre as facções criminosas brasileiras e o financiamento do terrorismo internacional.





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