terça-feira, 14 julho 2026
Céu limpo
Maceió
23°C
Céu limpo
Céu limpo
Maceió
23°C
Céu limpo

Saúde mental abalada: a bomba-relógio dentro da PM de Alagoas

por | 22 jun, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Divulgação

Há quem defenda que, aos 193 anos, contados de 3 de fevereiro de 1832 até hoje, a Polícia Militar de Alagoas (PMAL) precisa de reforma em seu estatuto. Neste sentido, os que defendem a atualização das normas militares entendem que o maior problema está relacionado à saúde mental dos 7.687 militares do quadro ativo, sendo 1.307 deles mulheres.

Essa preocupação se sustenta, por exemplo, num trabalho de conclusão de curso da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), de 2022, que provou haver na corporação “vulnerabilidade profissional expressada na alta incidência de sofrimento psíquico”. O TCC pode ser visto aqui.

Intitulado “Saúde mental no ambiente policial militar de Alagoas”, o estudo teve como objetivo avaliar de que forma essa questão é tratada na corporação. Importante ressaltar que o trabalho teve como base as produções de militares que fizeram o Curso de Formação de Oficiais (CFO), onde são formados os comandantes da instituição.

Imagem: Chatgpt

Causas dos danos

O estudo, sustentado em produções dos sete anos anteriores a 2022, mostrou características da atividade policial militar que “concorrem para alta prevalência de sofrimento psíquico entre seus agentes”. Uma delas é o silenciamento, provocado pelo caráter hierárquico da instituição.

O tema saúde mental dos profissionais de segurança pública vem sendo discutido cada vez com mais frequência e intensidade, não só em relação à PM alagoana, mas às de todo o país. Neste sentido, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) criou o Escuta Susp, programa nacional que oferece desde escuta para demandas pontuais até sessões contínuas em consultórios de psicoterapeutas.

Como o problema existe no Estado, e está claro diante dos episódios de violência envolvendo policiais, a exemplo da recente tragédia protagonizada por um major da PM, o governo alagoano entrou no programa do MJSP. Por aqui, o Escuta Susp vai garantir atendimento psicológico online gratuito civis, militares, bombeiros e peritos criminais.

Reprodução

Casos repercutem

No domingo, 8 de junho, o major Pedro Silva fez cinco familiares de reféns, matou o cunhado e, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP/AL), esfaqueou, matando, o próprio filho de 10 anos. A tragédia foi registrada no bairro do Prado, em Maceió. O oficial, que estava recolhido ao Presídio Militar por violência doméstica, acabou morto pela Polícia.

Major Pedro Silva | Reprodução

Esse é apenas um, o mais recente, das dezenas de casos envolvendo negativamente a instituição. Já não é possível negar que a saúde psíquica dos militares alagoanos está duramente abalada.

A comprovação deve ser sustentada em estudos e análises de especialistas, claro.

Porém, uma conversa simples e direta com qualquer militar é suficiente para que se tenha manifestada essa avaliação. Se indagados sobre as causas de surtos, como o que ocorreu com o major Pedro Silva, dez em cada dez PM’s dirão que a carga horária excessiva, o autoritarismo e as perseguições, somadas aos problemas pessoais, compõem a bomba interna que explode mais e mais vezes na Polícia Militar de Alagoas.

Escala de trabalho é uma das principais dores

A escala de trabalho, que leva o militar ao quartel do carnaval ao réveillon, muitas vezes por 48 horas, é uma das principais queixas, e causa do adoecimento.

Mas há também queixas de perseguição, seja com uma transferência para unidade distante de sua residência, seja pelo atraso da promoção a que tem direito.

São incontáveis os casos em que policias são transferidos de cidade sob a justificativa de interesse público, quando de verdade estão sendo perseguidos por superiores autoritários. “É a banguela”, diz um soldado, revelando ele próprio ter sido vítima.

Esse soldado, que prefere não ser identificado, não vacila ao afirmar que é um problema ainda comum e causa de revolta na corporação.

A queixa se intensifica quando são indagados sobre formas de enfrentamento desse quadro de adoecimento mental. Policiais da capital e do interior reclamam da falta de assistência profissional para enfrentamento das suas demandas psicológicas e psiquiátricas, sejam em casos mais simples, sejam em situações de mais complexidade.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *