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Estudo aponta fatores sociais e estruturais por trás do alto número de cesarianas no Brasil

por | 14 jul, 2026

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O alto índice de cesarianas no Brasil está relacionado a fatores psicológicos, sociais e estruturais, e não apenas à escolha individual das gestantes. É o que aponta estudo divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomende que até 15% dos partos sejam realizados por cesariana, o procedimento representa mais de 60% dos nascimentos no Brasil e chega a quase 90% na rede privada, colocando o país entre os que mais realizam esse tipo de cirurgia no mundo.

A pesquisa, intitulada Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes, ouviu 94 gestantes e puérperas e 37 profissionais de saúde em São Paulo e Belém, nas redes pública e privada. O objetivo foi identificar os fatores que levam muitas mulheres a mudarem de ideia durante a gestação, já que estudos anteriores mostravam que sete em cada dez brasileiras desejavam ter parto normal no início da gravidez.

Entre os fatores que favorecem o parto vaginal estão a recuperação mais rápida e os benefícios para a mãe e o bebê. Já o medo da dor, experiências negativas compartilhadas por familiares e relatos de violência obstétrica aparecem entre os principais motivos que levam à cesariana.

O estudo também aponta diferenças entre as redes pública e privada. No Sistema Único de Saúde (SUS), muitas gestantes relatam falta de informações sobre o trabalho de parto, desconhecimento do plano de parto, acesso limitado à analgesia e sensação de pouca participação nas decisões. Entre usuárias da rede privada, o preparo costuma ser maior, muitas vezes por iniciativa própria.

Outra constatação é que algumas mulheres atendidas pelo SUS optam pela cesariana para realizar a laqueadura, o que, segundo o Unicef, evidencia falhas na orientação sobre métodos contraceptivos de longa duração e sobre a possibilidade de esterilização após o parto normal.

Como recomendações, o Unicef defende a ampliação do acesso à analgesia, melhoria da qualidade do pré-natal, fortalecimento do parto humanizado, inclusão de acompanhantes e doulas no processo de preparação para o nascimento e revisão de práticas e modelos de remuneração que incentivem cesarianas sem indicação clínica.

O estudo também deu origem à campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, que busca incentivar decisões informadas e garantir que as mulheres tenham uma experiência de parto segura, respeitosa e baseada em evidências científicas.

Com Agência Brasil

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