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Israel sob fogo no relatório de ONG israelense: “atiram contra crianças em Gaza”

por | 1 ago, 2025

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Foto: Shareef Saran

Um relatório divulgado em julho de 2025 pela ONG israelense B’Tselem, intitulado “Our Genocide” (Nosso Genocídio), acusa soldados das Forças de Defesa de Israel de dispararem diretamente contra crianças palestinas na Faixa de Gaza, inclusive em áreas descritas como “zonas de matança”, onde militares teriam permissão para atirar em qualquer pessoa avistada dentro desses locais.

A reportagem, publicada pela Agência Pública em 29 de julho de 2025, destaca relatos de jovens que acreditam que irão morrer e muitos que já expressam desejo de morrer devido ao trauma contínuo da guerra. Segundo dados citados, 96% das crianças em Gaza acreditam que vão morrer em breve, e cerca de 50% delas já verbalizam esse sentimento desesperançado.

O relatório B’Tselem também detalha que, desde outubro de 2023, mais de 55 mil pessoas foram mortas em Gaza, com uma proporção significativa de mulheres e crianças entre as vítimas. Os números são baseados em registros do Ministério da Saúde de Gaza e em testemunhos coletados por organizações locais e internacionais.

Além dos disparos diretos, o documento descreve o uso da fome e restrições humanitárias como método de morte, resultado do bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza. Segundo a ONG, a destruição das condições de vida — inclusive ataques ao sistema de saúde e à infraestrutura básica — reflete uma política deliberada de aniquilação parcial ou total, o que enquadraria o contexto como genocídio sob a Convenção de Genebra.

O conflito escalou em março de 2025 após o fim do cessar-fogo de 42 dias. Operações como a chamada “Operação Poder e Espada” resultaram em centenas de mortes civis num único ataque surpresa, intensificando a crise humanitária e confirmando alegações de ataques indiscriminados contra áreas densamente povoadas por civis.

Contexto internacional e repercussões

O relatório de B’Tselem soma-se a outras denúncias severas de organizações como Médicos por Direitos Humanos (PHR), que também classificaram como genocídio a destruição do sistema de saúde de Gaza e a fome extrema entre mulheres e crianças.

Organizações internacionais, como Human Rights Watch e Anistia Internacional, relataram uso excessivo de força, mortes em áreas residenciais sem atividade militar e ataques contra hospitais, evidenciando possíveis crimes de guerra por parte das Forças de Defesa de Israel.

A ONU tem confirmado que nas operações israelenses morreram mais crianças em poucos meses do que em quatro anos de guerras pelo mundo, descrevendo Gaza como um lugar de morte e desespero, onde a crise humanitária é considerada catastrófica e em rápida deterioração.

Reações e desdobramentos

No meio do conflito, jornalistas internacionais, como os da AFP presentes em Gaza, alertam que correm risco de morte por fome, sobrevivendo em condições extremas devido à falta de comida, água e assistência médica — situação que agrava ainda mais o colapso social e informativo da região.

Enquanto isso, a comunidade internacional tem recorrido à ONU, ao Tribunal Penal Internacional e a mecanismos de mediação diplomática — incluindo consultas na OMC — para tentar conter o avanço da violência e pressionar por cessar-fogo, cooperação humanitária e responsabilização dos envolvidos.

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